Jocelito impõe economia de guerra
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quarta-feira, 26 de março de 1997
Giovani Ferreira Correspondente em Ponta Grossa 
Kraw PenasAo extremoO prefeito Jocelito Canto: redução de gastos para sanear contasMesmo antes de completar três meses de governo, o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (PSDB), anunciou ontem uma reforma administrativa com corte de gastos e reacomodação de secretarias. Em função das mudanças, todos os 14 secretários municipais colocaram seus cargos à disposição do prefeito. Queremos deixar o prefeito a vontade, com absoluta liberdade para tomar as medidas administrativas que se fizerem necessárias, disse Reinaldo de Almeida César Sobrinho, ex-secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura.
Para diminuir o custo operacional da prefeitura, as novas regras devem atingir todos os segmentos da administração municipal. Foram extintas quatro secretarias e três fundações municipais. Deixam de existir as secretarias de Cultura, Criança, Turismo e Meio Ambiente e Agricultura e Pecuária. A Cultura passa para a Secretaria de Educação; a Secretaria da Criança passa para a de Ação Social; Turismo e Agricultura para a de Indústria e Comércio. Das fundações municipais, permanecem somente o Pronto Socorro Municipal e a Proamor. Serão extintas a Funepo, Promover e Fapi.
A prefeitura iniciou um estudo para desativar dezenas de postos de saúde. Ponta Grossa tem 62 postos de saúde e uma população de aproximadamente 260 mil habitantes. Jocelito lembra que Curitiba tem mais de um milhão de habitantes e apenas 92 postos de saúde. A idéia é distribuir melhor, reduzir os custos operacionais e de manutenção com os postos, anunciou o prefeito.
As horas extras, que consomen cerca de R$ 400 mil por mês, devem ser reduzidas em até 50%. A frota de veículos da prefeitura será comandada pela chamada Central Única de Veículos, que deve ser implantada a partir de abril. Com o controle da frota a prefeitura pretende uma economia de R$ 50 mil por mês em combustível e na manutenção dos veículos.
Nem mesmo o salário do prefeito e dos secretários municipais escapou da reforma administrativa. A partir do próximo mês prefeito e secretários terão uma redução de 10% em seus salários. Para as secretarias, a ordem é reduzir os gastos em 30%. As subvenções sociais estão cortadas e estão proibidas todas as contratações. As verbas repassadas às fundações municipais também devem ser reduzidas em 30%.
De acordo com Jocelito, a reforma administrativa é uma questão obrigatória, sob pena de inviabilizar a prefeitura até o final do ano. A atual admistração herdou, da última gestão, uma dívida quase que impagável, disse Jocelito. Conforme números apresentados pelo prefeito, a administração anterior deixou dívidas de aproximadamente R$ 9,8 milhões. Quando saiu da prefeitura, o ex-prefeito Paulo Cunha Nascimento garantiu que as dívidas não passavam de R$ 3 milhões.


