Jocelito faz acusação contra opositores
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Giovani Ferreira Enviado a Ponta Grossa 
O prefeito Jocelito Canto (PSDB) reconheceu que existem algumas irregularidades em sua administração e acusou políticos opositores de terem armado os flagrantes de corrupção que motivaram as denúncias contra seu governo. No entanto, em entrevista coletiva realizada ontem, ao invés de se defender, ele resolveu acusar gestões anteriores de terem cometido erros parecidos.
Sem entrar em detalhes sobre as denúncias de corrupção ativa e passiva que já estão sendo analisadas pelo Ministério Público (MP), o prefeito limitou as perguntas durante a entrevista e disse que foram criadas duas comissões especiais para investigar o caso. Gravações de áudio e vídeo feitas pelo empresário Sidney Spósito acusam a administração de desvio de verbas federais, cobrança de propina e contratação de serviços sem licitação.
Os dois funcionários envolvidos nas denúncias já foram afastados de suas funções. O chefe do Departamento de Receita, Marcos Bochnia, não responde mais pelo setor desde anteontem. O chefe de gabinete, Pedro Sebastião, pediu para deixar o governo e foi atendido. Sobre os outros quatro funcionários que aparecem nas gravações, o prefeito disse que não quer fazer julgamentos precipitados e, pelo menos por equanto, eles continuam trabalhando.
Jocelito lamentou o episódio onde Bochnia, que é servidor municipal há 25 anos, aparece recebendo propina do empresário. Tinha ele como amigo pessoal. Fez mil coisas boas, mas agora vai pagar por essa, lamentou. Ele garantiu que não sabia das denúncias e considerou um gesto de respeito o pedido de afastamento de seu chefe de gabinete.
Enquanto uma comissão analisa o caso de Bochnia, a outra se encarregará de investigar as supostas irregularidades que estariam acontecendo em toda a administração. Admitindo a hipótese de serem comprovadas algumas ilegalidades, o prefeito disse que não pode controlar tudo. Para isso existem os assessores, que são pessoas confiáveis. As respostas para todas as denúncias, segundo ele, serão conhecidas quando as comissões concluírem os trabalhos.
A única acusação comentada pelo prefeito foi sobre o Fundo de Desenvolvimento da Educação (Fundef). O município assume que parte das verbas não foi aplicada de acordo com a lei. Sobre sua assinatura em cheque do Fundef, ele disse apenas que vista de 30 a 40 cheques por dia e que não tem conhecimento de tudo o que assina.
O prefeito garantiu que os promotores serão atendidos quando requisitarem documentos. As denúncias de corrupção também serão investigadas por uma CPI instaurada no mês passado na Câmara de Vereadores. A CPI, que não se reuniu nenhuma vez, é composta, em sua maioria, por vereadores ligados ao prefeito. O presidente da comissão é o vereador Edmundo Costa Moura (PMDB).
Na entrevista de ontem, Jocelito disparou a artilharia contra ex-prefeitos e mostrou documentos. Seu principal alvo foi o ex-prefeito Otto Santos Cunha (PFL). Ele é marido de Cenir Frare da Cunha, que integra o Movimentação, grupo que encaminhou as denúncias ao MP.
De acordo com Jocelito, políticos de oposição estão tentando denegrir a imagem de sua administração e estariam por trás do empresário que gravou os flagrantes de corrupção.
O prefeito apresentou empenhos pagos por Otto Cunha de serviços que nunca foram realizados. O ex-prefeito estava viajando e não foi encontrado para comentar as acusações.


