Jobim toma posse na Defesa com carta branca
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Vera Rosa e Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Depois de recusar duas vezes o convite do Palácio do Planalto, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, cedeu aos insistentes apelos presidenciais e tomou posse ontem no cargo de ministro da Defesa com ordem e liberdade para mudar tudo o que for necessário e resolver, de uma vez por todas, a crise aérea. Alertado por Lula de que o ministério ''tem muitos problemas'', Jobim respondeu: ''É, eu sei que, na prática, esse ministério não existe''. Esse diálogo aconteceu na noite de terça-feira, no Planalto, quando Jobim recebeu o convite formal para assumir o cargo.
Sexto titular do Ministério da Defesa, criado em 1999 com a missão de integrar as três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica), Jobim substitui Waldir Pires, que se mantinha fragilizado no posto desde a queda do avião da Gol, em setembro do ano passado. Sua situação ficou insustentável após o acidente com o Airbus da TAM, terça-feira da semana passada.
O novo titular da Defesa só mudou de idéia e aceitou a ''missão'' de comandar a pasta depois de ser convencido pelos amigos Gilmar Mendes, do STF, e Sigmaringa Seixas, ex-deputado do PT , de que não se tratava de um convite, mas de uma convocação para resolver uma questão de Estado. ''Venha com o espírito preparado. É uma briga'', disse Lula, ao dar posse hoje a Jobim, numa referência à necessidade de reestruturar o Ministério da Defesa. ''Você assumirá com todas as forças para fazer as mudanças que precisar fazer, onde precisar fazer.''
Como Jobim é filiado ao PMDB, seu ingresso no governo significa, em tese, que o partido ganha o sexto ministério na Esplanada. Na verdade, porém, a escolha do peemedebista teve caráter pessoal, e o PMDB não foi sequer comunicado do convite. Mesmo sem a interferência do partido aliado, não foi uma negociação fácil e quem sai perdendo, na prática, é o PT. Como a última investida de Lula para convencê-lo fracassara, na semana passada, o presidente foi forçado a preparar um plano B.
A alternativa do governo seria deslocar o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para o lugar de Waldir Pires. ''Você escapou por pouco'', disse Lula a Bernardo na noite de terça-feira, confessando que já havia alertado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deixasse seu secretário-executivo Nelson Machado em alerta, porque ele poderia assumir o Planejamento.
Lula queria uma solução rápida para dar respostas à sociedade depois da tragédia ocorrida com o avião da TAM, no último dia 17. Tudo estava praticamente acertado para uma solução caseira, diante da dificuldade do Planalto em encontrar um nome de fora, e com prestígio, para assumir o ministério em momento tão delicado.
Mas Lula garantiu que não faltarão investimentos. ''Decidimos que, a partir de agora, vão ser destinados R$ 130 milhões para as Forças Armadas.''
Lula disse que uma das primeiras missões de Jobim como ministro da Defesa é se reunir com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.
Ele disse que os dois devem visitar o aeroporto de Congonhas (SP) - palco do acidente com a TAM - e o hospital que atua na identificação das vítimas do acidente.


