Jobim reafirma preferência do Brasil por caças franceses
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sábado, 10 de outubro de 2009
Pedro Dantas<BR>Agência Estado 
Rio - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reafirmou a preferência do Brasil pela compra dos 36 caças franceses Rafale. ''A preferência é do presidente Lula, tendo em vista nossa parceria estratégica com a França e a afirmação do presidente Nicolas Sarkozy sobre a transferência irrestrita de tecnologia'', afirmou na última quinta-feira. Ele manifestou, no entanto, preocupação se a Dassault, empresa fabricante do caça, irá aceitar a condição brasileira para a compra.
''A fabricante é privada e as ações do governo francês são preferenciais sem direito a voto. É necessário saber se a proposta da Força Aérea Brasileira, que exige transferência irrestrita de tecnologia, será aprovada'', ressaltou Jobim.
A preocupação do ministro causou surpresa. Em setembro, o almirante Edouard Guillaud, chefe do gabinete militar do presidente francês, esteve em Brasília, em companhia do vice-presidente da Dassault, para trazer a garantia de transferência de tecnologia ''completa, sem restrição e sem limite''.
Disputa
A última fase da licitação com participação direta das empresas que disputam a venda de 36 caças de alta tecnologia para o Brasil (um pacote de US$ 7,7 bilhões) foi encerrada no início do mês, com a apresentação das propostas finais, ampliadas, ao Comando da Aeronáutica. Além da francesa Dassault, participam a americana Boeing e a sueca Saab.
Todas melhoraram significativamente suas ofertas. A Dassault viu-se obrigada a reduzir seu preço - tanto pelo custo da hora de voo, considerado muito alto pelo governo brasileiro, quanto pela cifra referente ao valor de aquisição. A Saab fez contraponto à concorrente francesa, que anunciou a compra de uma dezena de aviões KC-390, o novo transporte militar projetado pela Embraer. Já a Boeing reforçou o compromisso de abertura de conhecimento sensível e, pela primeira vez, citou uma preciosidade da engenharia militar americana - a tecnologia de furtividade, que dá ao avião capacidade de evitar a detecção por radares e sensores inimigos.
Mas a disputa continua. Na semana passada, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou nota reiterando a oferta feita ao governo brasileiro para que opte pelo caça da Boeing F-18 Super Hornet. A ministra do Comércio Exterior da Suécia, Ewa Björling, aproveitou a presença do presidente Lula em Estocolmo, também na semana passada, para a Cúpula Brasil-União Europeia e reforçou o lobby em favor da Saab para a venda dos caças Gripen NG.


