Jobim determina sigilo para garantir investigações
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terça-feira, 11 de março de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ministro da Justiça, Nelson Jobim, recebe hoje o relatório do diretor da Polícia Federal, Vicente Chelotti e o secretário-executivo do Ministério, Milton Seligman, sobre as investigações do envolvimento do empresário Paulo César Farias com a máfia italiana. Porém, o ministro disse que determinou sigilo nas informações.
Jobim admitiu em Foz do Iguaçu, fronteira entre Brasil e Paraguai, durante a inauguração da sede da Polícia Rodoviária Federal, que o inquérito que apurou a morte do ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor pode ser reaberto por conta das investigações que foram feitas por Chelotti e Seligman. Esse relatório não deve chegar ao conhecimento da imprensa. É uma determinação do Governo para não atrapalhar as investigações, disse.
O diretor da PF tinha passagem de volta ontem à noite e, ainda hoje, deve se encontrar com Jobim. Seligmam só retorna no sábado a Brasília. Antes, ele passa por Washington. Assessores do ministro disseram que a possibilidade do envolvimento de PC com a máfia italiana pode mudar os rumos do resultado do inquérito que apurou a morte do ex-tesoureiro de Collor.
Essa mesma tese é defendida pelo juiz da 8a Vara Criminal de Maceió, Alberto Jorge Correia, onde tramita o inquérito sobre o assassinato de PC. Ele admite a possibilidade de reabrir o processo, caso haja novidades no relatório de Chelotti e Seligman.
No inquérito, Paulo César foi assassinado pela namorada, Suzana Marcolin, que se suicidou em seguida. A Folha de São Paulo revelou que cerca de R$ 200 milhões do esquema praticado por PC estão em poder de mafiosos. Essa suposição é da própria Justiça italiana, segundo o jornal.


