Jobim confirma preferência por caças franceses
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Tânia Monteiro<BR>Agência Estado 
Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou, durante depoimento de mais de quatro horas na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, que há uma ''preferência política'' pela parceria com os franceses na questão da compra dos caças para equipar a Força Aérea Brasileira (FAB).
''Basta que os franceses cumpram com o compromisso de transferir a tecnologia e de valor final'', declarou Jobim, ressalvando depois que ''o negócio não está fechado'' porque surgiram propostas novas que serão apresentadas pelos norte-americanos, fabricantes do F-18, e pelos suecos, do Gripen, até dia 21.
Jobim afirmou ainda que, no caso da França, é preciso que a Dassault, empresa privada que fabrica o modelo Rafale, apresente as propostas confirmando o que foi acertado pelos presidentes Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro listou as seis ofertas feitas pela França, registradas na carta que Sarkozy entregou a Lula, e, ao contar que o governo brasileiro se queixou dos altos custos da hora de voo do Rafale, Jobim revelou que o presidente francês informou a Lula que o custo total seria da ordem de 9,8 mil euros, sem dizer qual era o valor da proposta anterior.
Segundo o ministro, como a fórmula de cálculo da hora de voo do francês é diferente da brasileira, o que ultrapassasse esse valor seria bancado pelo governo da França. Esses dados não foram divulgados oficialmente, mas o que foi divulgado extraoficialmente é que os executivos da Dassault participaram da reunião entre os governos do Brasil e da França, na madrugada de 7 de setembro, e teriam chegado a admitir que baixariam em 40% os custos previstos de operação do Rafale (de quase US$ 16 mil hora/voo para menos de US$ 10 mil hora/voo). Porém, ao falar para os senadores que a hora de voo seria de 9,8 mil euros, esse valor não representaria praticamente nenhuma redução.
Ainda na audiência, Jobim disse aos senadores que agora está na hora de saber o que os norte-americanos querem dizer com ''transferência necessária'' e os franceses com ''transferência irrestrita de tecnologia''. O ministro voltou a criticar os norte-americanos pelos ''precedentes anteriores, que são ruins'', lembrando quando eles impediram a venda dos SuperTucanos da Embraer para a Venezuela. Citou ainda o fato de os Estados Unidos terem diferentes autoridades que interferem na questão da transferência de tecnologia. Afirmou, no entanto, que ''em relação a parte técnica, os três aviões se equivalem''. E comemorou: ''o que é ótimo nisso tudo é que acirrou a concorrência e vamos ganhar com isso''.
Antes da pressão de Sarkozy pelos caças franceses, no encontro privado entre Lula e Barack Obama na Itália, em 9 de julho passado, o presidente norte-americano defendeu a parceria na área de Defesa entre Brasil e Estados Unidos. Mas, em sua fala, Jobim deixou clara sua preferência pelos franceses e as restrições aos norte-americanos. ''Todas as empresas estão apresentando novas ofertas, e tudo isso é ótimo. Chega de o Brasil ser um mero comprador de A, B ou C, ou de ainda receber instruções de A'', afirmou, referindo-se de novo às restrições norte-americanas. Citou ainda que, no caso das conversas com as autoridades dos EUA, ele disse que foi mencionada a dificuldade de integração do sistema de armas, o que para o Brasil é considerado um problema.
Feira de compras
Durante conversa com os parlamentares, Jobim declarou que não está indo a uma ''feira de compras''. ''O Brasil não é Venezuela, que compra no supermercado de armas do mundo'', criticou o ministro, acrescentando que ''estamos em busca de capacitação nacional''. Jobim aproveitou para defender também a necessidade de ''padronizar as aeronaves existentes para reduzir o custo de manutenção''.
Os senadores deixaram a audiência comentando que não se convenceram das explicações de Jobim sobre a preferência pelos caças franceses. ''Ele tentou justificar a escolha do governo, mas não conseguiu'', declarou o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), afirmando que a concorrência técnica da FAB foi ''jogada no lixo''. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) foi na mesma linha, justificando que ''a opção política não pode se sobrepor ao interesse do País''.


