Jobim classifica convenção de fraude e amplia a crise
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sábado, 25 de janeiro de 1997
Agência Folha 
Agência EstadoPaes de Andrade deixa a casa de Jader Barbalho:PMDB é um partido de homens e não de ovelhas
BRASÍLIA - O ministro Nelson Jobim (Justiça) ampliou a crise do PMDB ao afirmar ontem, que a Convenção Nacional do partido, realizada no dia 12, foi uma fraude e que o PMDB é hoje uma grande confederação de partidos regionais em extinção. O presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), divulgou nota afirmando que o ministro, sem votos, está contaminado pelo autoritarismo do governo. E completou: O PMDB é um partido de homens e não de ovelhas. Jobim, favorável à possibilidade de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que a votação da moção que determinou o adiamento da votação da emenda da reeleição para depois de 15 de fevereiro não teve representatividade. Quem tinha voto não estava no plenário da convenção. Estavam ativistas que haviam sido manipulados por Orestes Quércia (ex-governador de São Paulo) e por outros líderes partidários, disse Jobim em entrevista à radio Gaúcha de Porto Alegre (RS). Paes respondeu: O que podemos fazer se os governadores alinhados com o Planalto não ousaram defender a tese da reeleição, olhando nos olhos dos delegados da base partidária? O ministro afirmou que o PMDB é hoje um partido sem bandeiras, que vive de lembranças do tempo do regime militar. Era a ditadura que dava coesão e união ao partido. O PMDB teria perdido a bandeira com a democratização do país. A assessoria de imprensa do ministro afirmou, à tarde, que o ministro confirmava o teor da entrevista. Negou apenas que tivesse utilizado a expressão fraude ao comentar a convenção. Paes contestou a análise de Jobim: Engana-se o senhor Jobim. O PMDB tem a mesma bandeira de sempre. E, se o ministro acha que o partido se encontra em extinção, deveria, por coerência, deixar os seus quadros. Na entrevista, Jobim afirma que Paes teve uma conduta absolutamente descumpridora em relação ao que havia combinado com o governador Antônio Britto (RS), articulador pró-reeleição. Não assumi compromisso algum com o governador. Eu só tenho compromissos com as minhas inalteráveis convicções e com o meu partido, respondeu Paes. FHC rejeitou a proposta de votar a emenda da reeleição no dia 5 de fevereiro, apresentada formalmente pelo líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA), anteontem à noite. Jader afirmou que o presidente aceitou conversar sobre o referendo popular, a implantação da fidelidade e do prazo de desincompatibilização. Mas teria dito que seria difícil mudar o calendário da emenda da reeleição.


