Joaquim Távora elege novo prefeito em disputa acirrada
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segunda-feira, 08 de abril de 2013
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
O acirramento da eleição suplementar em Joaquim Távora (Norte Pioneiro) ficou estampado nos números. O empresário Gelson Mansur (PSDB) venceu o cartorário Emilio Calil Neto (DEM) por apenas 47 votos. Enquanto o tucano alcançou 50,35% dos votos válidos, totalizando 3.361 votos, Calil Neto ficou com 49,65%, ou seja, 3.314 votos. Contrariando a expectativa do Tribunal Regional Eleitoral (TER) do Paraná, a conclusão da apuração ocorreu por volta das 17h50, cerca de 40 minutos antes do previsto inicialmente.
Embora os números demonstrem que a cidade está dividida, Gelson, que já ocupou o cargo de vice-prefeito entre 2001 e 2004, na gestão de Wilian Walter Ovçar (PSC), o Vatão, disse que será capaz de unir o município, com uma "administração voltada para as necessidades do povo, cuidando da saúde e cuidando muito de perto das necessidades da zona rural". Segundo Gelson, o aperto no resultado final é justificado pela diferença nas campanhas dos candidatos. "Entrei na campanha depois dele (Calil Neto) e não pude me dedicar tanto porque tenho também muitos compromissos no meu trabalho", afirmou o tucano, que é empresário, dono de supermercados na cidade.
A campanha em Joaquim Távora colocou também em lados opostos dois tradicionais grupos políticos no Paraná. Enquanto Calil Neto teve entre os seus apoiadores o senador Roberto Requião (PMDB), ex-governador do Estado, Gelson contou com o governador Beto Richa (PSDB). "Sem dúvida que isso foi muito importante para mim e a população sabe que tendo essa proximidade com o governo, com secretários, a gente terá condições de fazer muito mais."
Outra proposta do vencedor é criar na cidade um parque industrial. Segundo Mansur, "o secretariado será competente e técnico para atendermos as demandas", porém, ele preferiu não revelar os nomes.
No final da tarde, minutos antes do encerramento da totalização dos votos, simpatizantes dos dois candidatos disputavam espaço na praça central de Joaquim Távora, mas foi só o resultado final ser anunciado para que um grupo guardasse as bandeiras. A comemoração da coligação vencedora ocorreu com uma carreata na avenida principal e muito barulho.
Gelson desfilou num caminhão "trio elétrico", de onde desceu apenas para atender a imprensa. "Esta é a festa do povo", dizia enquanto era saudado pelos integrantes da sua coligação.
Calil Neto não foi localizado pela reportagem depois da apuração para comentar o resultado final. Ainda durante a tarde, ele havia dito à FOLHA que estava confiante e que tinha feito "uma grande campanha".
Segundo o Juiz Eleitoral de Joaquim Távora, Alexandre Moreira van der Broocke, os dois políticos ainda respondem ações que ficaram da campanha eleitoral. Calil Neto tem uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando o prazo de desincompatibilização e, no caso de Gelson, tramita na Justiça Eleitoral da cidade uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), cujos detalhes não foram revelados pelo magistrado.
O juiz informou que a diplomação está marcada para o dia 26 de abril e a posse de Gelson Mansur como prefeito de Joaquim Távora e de Valdeci Azarias como vice deve ocorrer até, no máximo, o dia 15 de maio.
Vatão, eleito no ano passado, teve o registro de candidatura cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por reprovação nas contas referentes ao período em que chefiou o Executivo. De acordo com o advogado dele, Cássio Vieira Leite, a tese da defesa é de que não existem na rejeição de contas os requisitos necessários para a inelegibilidade. Segundo Leite, Vatão teve a candidatura deferida no TRE, mas houve entendimento diferente no TSE. Ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas como o recurso não tem efeito suspensivo, as eleições ocorreram normalmente.
Até a posse de Gelson, Joaquim Távora segue sendo administrada pelo vereador Sebastião Aparecido Lopes (PSDB), o Tião Paulista, eleito presidente da Câmara no começo de janeiro.
Além de Joaquim Távora, eleitores de mais 15 municípios tiveram que voltar às urnas hoje para nova eleição municipal.


