A atuação de Levy como gestor do BNDES já vinha gerando irritação em Paulo Guedes, antes das críticas do presidente
A atuação de Levy como gestor do BNDES já vinha gerando irritação em Paulo Guedes, antes das críticas do presidente | Foto: Wilton Júnior /Estadão Conteúdo

São Paulo e Brasília - O economista Joaquim Levy renunciou à presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16), após crítica pública do presidente Jair Bolsonaro. A saída de Levy do banco de fomento é a primeira baixa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e mais uma crise do governo. “Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda”, disse Levy, em mensagem. O economista agradeceu a lealdade, dedicação e determinação de sua diretoria. “Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas”, afirmou.

No sábado (15), o presidente disse estar “por aqui” com o economista e que ele estaria “com a cabeça a prêmio”. O estopim, segundo o presidente, foi a indicação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. Ele foi assessor do banco durante o governo do PT e voltaria ao banco para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do BNDES. O presidente disse que “governo é assim, não pode ter gente suspeita” em cargos importantes. “Essa pessoa, o Levy, já vem há algum tempo não sendo aquilo que foi combinado e aquilo que ele conhece a meu respeito. Ele está com a cabeça a prêmio já há algum tempo”, afirmou Bolsonaro.

O próprio Levy trabalhou com o Partido dos Trabalhadores, foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, mas entrou no time de Guedes por ter feito doutorado na Universidade de Chicago. A resistência do presidente a Levy vem desde o governo de transição. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que “houve reação" ao nome de Levy por ele ter servido à Dilma e ao ex-governador do Rio do Janeiro, Sérgio Cabral Filho, de quem foi secretário de Finanças. O presidente acabou cedendo, porque precisava “acreditar em Guedes”.

IRRITAÇÃO

Antes mesmo das críticas do presidente, a atuação de Joaquim Levy como gestor do BNDES já vinha gerando irritação em Paulo Guedes. A avaliação é de que Levy não deu andamento a uma criteriosa revisão das grandes operações feitas pelo banco nos últimos anos, principalmente as efetuadas durante a gestão petista. Essa era uma das principais bandeiras de campanha de Bolsonaro e sua equipe. Outra reclamação, segundo relatos, é que Levy não empenhou velocidade suficiente na venda de ativos em poder do banco, assim como teve resistência em devolver recursos do BNDES ao Tesouro no ritmo desejado pelo ministro da Economia. Guedes já disse que espera receber R$ 126 bilhões do BNDES neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. Os recursos são tratados como necessários para ajudar no ajuste fiscal do governo.

COTADOS

Entre os nomes cotados para a substituição no comando do BNDES estão os secretários especiais do ministério da Economia Carlos da Costa (Produtividade, Emprego e Competitividade) e Salim Mattar (Desestatização e Desinvestimento). Nome de confiança de Guedes, a presidente da Susep (Superintendência de Seguros Privados), Solange Vieira, ex-diretora-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil na gestão petista também está entre as possibilidades. Auxiliares do ministro acreditam ser mais difícil que algum ocupante de secretarias especiais da pasta assuma a função. O remanejamento geraria um trabalho duplo, já que um cargo importante do governo seria desocupado se isso fosse feito.

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