João Paulo nega ''acórdão'' para barrar criação de CPI do Banestado
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Christiane Samarco e Eugênia Lopes<BR>Agência Estado 
Brasília - O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), negou ontem a possibilidade de retardar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apurar denúncias de remessa ilegal de US$ 30 bilhões pelo Banco do Estado do Paraná (Banestado). ''Não existe acórdão'', garantiu ele, desmentindo ter firmado uma acerto com o Palácio do Planalto para evitar o inquérito que pode tumultuar o ambiente político e prejudicar o andamento das reformas constitucionais. Interlocutores do governo no Congresso, porém, deixam claro que os trabalhos da CPI preocupam o Planalto. ''Nossa prioridade são as reformas tributária e previdenciária, mas não vamos ficar enterrando a CPI'', garante o deputado Paulo Bernardo (PT-SP).
A criação da CPI do Banestado tornou-se inevitável depois que os aliados do governo na Câmara foram forçados a barrar outros inquéritos que o Planalto julgava inconvenientes, como a investigação de irregularidades na privatização do sistema de telefonia.
Para agravar ainda mais a situação, há um clima de disputa política entre a Câmara e o Senado. Os deputados governistas julgam-se bem mais desgastados politicamente do que os senadores e culpam o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), por isto. ''Seguramos muito rojão aqui na Câmara e o Senado fica dando uma de puritano'', queixa-se um governista da Câmara. Os deputados se queixam do desgaste de terem tido que derrubar as mudanças ''inconvenientes'' que Mercadante patrocinara no Senado.
Apesar dos queixumes, o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), informou que os cinco petistas da CPI deverão ser indicados amanhã. ''Não há nenhum empecilho para fazer as indicações e a CPI será bem mais ampla do que o Banestado. Ela vai para investigar as remessas de dólar ao exterior por meio das contas CC-5'', disse Pellegrino.


