Brasília- O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), garantiu ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a tramitação das reformas tributária e previdenciária na Câmara não será prejudicada pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, destinada a apurar a remessa de US$ 30 bilhões em transações feitas por meio de contas CC5 na agência do Banco do Estado do Paraná em nova York. ''A CPI do Banestado tem que ser instalada, mas o senhor pode ficar tranquilo'', disse João Paulo ao presidente Lula.
Lula e João Paulo se reuniram logo cedo, no café da manhã, por iniciativa do presidente da Câmara que costuma conversar por telefone com Lula três vezes a cada semana. Como o presidente não tinha muito tempo para esticar a conversa rotineira da quinta-feira à noite, o próprio João Paulo propôs o encontro na manhã seguinte. Na tentativa de acalmá-lo, o deputado salientou que, a seu ver, o escândalo em torno do Banestado está ''superfaturado por conta de um delegado que fala demais''. Referiu-se a José Francisco Castilho, da Polícia Federal, que na véspera participara de uma audiência pública na Comissão de Segurança da Câmara e fora contestado pelo colega Antonio Carlos de Carvalho, também responsável pelas investigações.
Nas conversas de bastidor, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, que vem trabalhando para adiar a abertura da CPI para agosto, é outro que tem apontado as informações contraditórias dos delegados federais. ''O que aconteceu na Comissão de Segurança foi um péssimo começo'', avaliou Dirceu, para quem uma CPI nesses moldes serviria mais para atrapalhar do que para colaborar com as investigações que já estão sendo feitas pela força tarefa criada pelo governo para esclarecer o caso.

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