Brasília A derrota do Planalto na articulação para aprovar o salário mínimo de R$ 260 não pôs fim ao clima de disputa e intrigas entre os dois principais auxiliares políticos de Lula - José Dirceu e Aldo Rebelo.
Setores do governo, do PT e da cúpula do PMDB avaliam que a briga vai se arrastar com personagens e ingredientes já conhecidos: o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), conduzirá o próximo capítulo dessa briga de poder, que vai girar em torno da proposta de emenda constitucional que permite a reeleição nos postos de comando do Congresso. A nova votação da MP do mínimo pelos deputados está prevista para terça-feira. O presidente Lula quer acabar o quanto antes com essa agonia. Mas quem ditará o ritmo será mesmo João Paulo.
Políticos do PT e do PMDB estão convencidos de que a derrota do mínimo proposto pelo governo foi alimentada por uma articulação de João Paulo na Câmara, em dobradinha com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ambos de olho em uma nova oportunidade de aprovar a emenda reeleição.
Aberto o painel de votação da MP no plenário, o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), não teve dúvidas em afirmar: ''O que vem por aí é uma ofensiva para voltar ao velho modelo de articulação política, com Aldo fora do Planalto e a reeleição de João Paulo e Sarney.'' Renan está certo de que está em curso a manobra para lhe tirar a oportunidade de suceder Sarney na Presidência do Senado em 2005.
A estratégia de barrar o mínimo de R$ 260 no Senado teria tido dupla serventia para João Paulo, José Sarney e o ministro José Dirceu. A primeira delas foi impor uma derrota política a Rebelo.
João Paulo não o perdoa porque ele teria aconselhado o presidente da República a não se envolver na votação da reeleição. Acredita que perdeu o embate, na primeira votação da emenda na Câmara, quando Lula lavou as mãos. E Dirceu já deu sinais claros de que gostaria de ter de volta a função de articulador político do Planalto.
A segunda utilidade é a oportunidade de usá-la na Câmara para mobilizar quórum para a proposta da reeleição. O grupo se mobilizaria intensamente para derrubar os R$ 275 aprovados pelos senadores, livrando o presidente Lula do desgaste do veto presidencial e, no embalo, entraria em pauta a emenda da reeleição.

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