Brasília - O resultado do processo de cassação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que será votado no plenário da Câmara hoje, é uma incógnita mesmo para o mais informado dos parlamentares. Na Casa, ninguém quer apostar qual será o destino de João Paulo, a cassação ou a absolvição. O próprio relator do processo de João Paulo no Conselho, deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) se diz ‘‘cético’’ em relação à cassação. Schirmer mostrou certo desânimo ao falar da votação de hoje. Apesar de seu relatório ter sido considerado devastador para João Paulo, o relator acha que boa parte deputados já não está dando importância para a opinião pública e muito menos para os relatórios do Conselho de Ética. ‘‘Estou bastante pessimista’’, afirmou. João Paulo é acusado de ter recebido R$ 50 mil de Marcos Valério e de ter mentido à CPI e ao Conselho.
  Ontem João Paulo circulava tranqüilamente pela Casa. Ao entrar no plenário, recebeu cumprimentos e apoio de vários deputados. Mas não quis comentar o processo. ‘‘Não dá para saber. Estou conversando muito, mas aqui as coisas mudam muito rápido. Não tenho como prever nada.’’ O deputado afirmou que só vai comentar o processo depois de passada a votação e, hoje, fará sua defesa no discurso. ‘‘Não será nada bombástico’’, garantiu.
  Na onda de absolvições patrocinada pelo plenário nas últimas semanas - apenas três deputados foram cassados enquanto sete já foram absolvidos - as chances de João Paulo escapar aumentaram. Logo depois da apresentação do relatório, parlamentares consideravam sua situação difícil. Mas, como ficou provado com as últimas absolvições, os parlamentares têm dado pouca importância ao que diz o Conselho.
  Conta a favor de João Paulo sua boa relação com os deputados, especialmente os do chamado baixo clero - parlamentares de pouca expressão -, conquistados na época em que era presidente da Câmara. Nas últimas semanas, o deputado têm se dedicado a conversar com todos os colegas que ele consegue encontrar, até aqueles claramente contrários a sua absolvição.
  Do outro lado, joga contra o deputado a imagem de que ele é um dos ‘‘peixes grandes’’ e pode ser cassado porque tem visibilidade, assim como os ex-deputados José Dirceu e Roberto Jefferson. ‘‘Vai ser uma briga feia. João Paulo é peixe grande, não dá para saber o resultado’’, disse o vice-líder do governo, Beto Albuquerque (PSB-RS). O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), aposta também na versão do ‘‘peixe grande’’. ‘‘João Paulo é um dos caciques e a reação do plenário tem sido mais violenta com os caciques’’, disse.
  O Conselho de Ética da Câmara aprovou por 10 votos a 1 o relatório contra o deputado Josias Gomes (PT-BA) por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter se beneficiado do esquema do ‘‘valerioduto’’. O relatório, elaborado pelo deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), pede a cassação do parlamentar sob o argumento de que Gomes admitiu ter recebido dinheiro de caixa dois por duas vezes. Em sua defesa, o deputado alegou que usou os recursos para pagar dívidas da campanha de 2002.

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