Leandro Donatti
De Curitiba
O comando estadual do PFL continua resistindo em emprestar apoio político ao prefeito de Londrina, Antonio Belinati, em meio à maior crise de sua administração. O presidente do diretório regional, ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, lavou a mãos, reuniu ontem à tarde os deputados da bancada federal do partido e o presidente do PFL de Londrina, Farage Khoury, para uma conversa reservada em Brasília.
O PFL do Paraná quer um relatório completo sobre a real situação do prefeito e seu grau de envolvimento no escândalo AMA-Comurb. Farage ficou com a incumbência de fazer a avaliação, a ser entregue nos próximos dias à cúpula pefelista. O PFL acha mais conveniente e estratégico o silêncio.
Pelo menos até hoje, dia marcado para a Câmara Municipal de Londrina analisar o pedido de instalação da Comissão Processante, o start do processo de cassação de Belinati solicitado por 75 entidades entidades da cidade encabeçadas pela OAB. ‘‘Temos informações conflitantes sobre o caso. Alguns sugerem que há envolvimento do deputado federal José Janene. Outros, só do grupo de Belinati. Não queremos tomar uma posição que traga mais problemas ainda’’, admitiu um deputado que participou da reunião ontem, mas que não quis se identificar.
Até que não tenha o relatório em mãos, o silêncio do comando do PFL continua. ‘‘O João Elísio (Ferraz de Campos) acha melhor que a questão seja tratada de forma localizada. Isto é, se for para o PFL se manifestar, que se manifeste então o PFL de Londrina’’, revelou outra fonte à Folha. A mesma fonte disse que o escândalo da administração Belinati já chegou aos ouvidos do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, e de outros pefelistas de peso, que também estariam preocupados com os desdobramentos. Londrina é a terceira maior cidade do Sul do Brasil, perdendo apenas para Curitiba e Porto Alegre. Manter seu domínio é a meta do PFL.
A maior prova de que o comando estadual do PFL lavou as mãos no caso Belinati foi dada na semana passada. A direção estadual do PMDB distribuiu nota aplaudindo as entidades que entraram anteontem com pedido de cassação do prefeito. O partido do senador Roberto Requião pregou investigação rigorosa do escândalo. E teceu críticas à administração de Antonio Belinati e ao caso AMA-Comurb. Em momento algum, o PFL contestou a nota da oposição.
João Elísio tem evitado dar entrevistas e cancelou um encontro pefelista, marcado para este final de semana em Londrina. O partido iria reunir os pré-candidatos a vereador de outubro. Como a crise política do prefeito chegou ao seu ápice, João Elísio optou pelo cancelamento. A decisão teve o respaldado dos demais integrantes da executiva estadual.
Farage voltou da reunião de Brasília com uma avaliação menos preocupante e mais otimista da ouvida pela Folha dos deputados federais. Disse que Belinati conta com o apoio do PFL. Não disfarçou, entretanto, que o escândalo tem gerado preocupação aos comandos estadual e nacional do PFL. Presidente da Codel, Farage não falou sobre o pedido da cúpula pefelista, para que faça um relatório do caso AMA-Comurb e suas implicações. (Colaborou Lino Ramos)Presidente do PFL do Paraná diz que está aguardando relatório mas já avisa que problema de Antonio Belinati é localizado
Arquivo FolhaMICROJoão Elísio: segundo uma fonte ouvida pela Folha, quem pode se manifestar é o PFL de Londrina, e não a direção estadual do partido

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