O atual diretor do Deto (Departamento de Gestão do Transporte Oficial), Marco Antônio Ramos, disse que a JMK acumula mais de R$ 18 milhões em dívidas com as oficinas. O depoimento foi prestado nesta quarta-feira (14) na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da AL (Assembleia Legislativa) do Paraná. A empresa foi gestora da manutenção da frota do governo do Paraná de janeiro de 2015 a maio de 2019. Segundo Ramos, o valor se refere à diferença entre os pagamentos feitos pelo Estado à empresa (R$ 174,9 milhões) e os repasses da JMK aos prestadores de serviços (R$ 156,6 milhões).

A diretoria da JMK contesta os valores e argumenta que o valor apresentado como dívida (R$ 18 milhões) na verdade se refere à taxa de administração firmado com as empresas, de 10% a 15% dos serviços prestados, conforme contrato firmado com a oficina. “O depoimento desmonta as suspeitas de superfaturamento no contrato de gestão da manutenção da frota do governo do Estado.” diz a nota encaminhada pela assessoria de imprensa da JMK.

Já o presidente da CPI esclarece que a conforme a cláusula sete apenas R$ 0,10 por veículo referente à taxa de administração, perfazendo R$ 18.600 ao ano, e não há menção contratual referente a quaisquer outros percentuais ou taxas devidos pelo Estado.

INVESTIGAÇÃO

A Operação “Peça Chave” investiga fraudes de mais de R$ 125 milhões de superfaturamento para gestão da manutenção da frota de 15.500 veículos de 52 órgãos públicos. A Policia Civil ainda narra o esquema de uso de empresas laranjas com uso de peças paralelas como se fossem originais.

Já a empresa alega que o valor anunciado pelos investigadores é seis vezes superior a todo o montante que passou pelas mãos da JMK em 4,5 anos. Segundo a JMK, ainda há uma dívida do governo do Estado no valor de R$ 10,6 milhões - referente a uma das prestações de repactuação de preços (R$ 7 milhões, de correções de 2016 para 2017) e o acúmulo de R$ 3,6 milhões em notas de serviços enviadas e ainda não pagas pelo Executivo.

icon-aspas "Ficou evidente a bagunça e a desorganização no principal órgão responsável pela fiscalização".
Soldado Fruet (PROS) -

O presidente da CPI, o deputado Soldado Fruet (PROS), disse que o depoimento comprava a desorganização dos gestores do Deto. “No período do contrato com a JMK, ficaram evidentes a bagunça e a desorganização no principal órgão responsável pela fiscalização. Foram várias trocas de comando no Deto e cada um que entrava dizia que ia resolver os problemas, mas a situação ficava pior do que estava”, comentou. Conforme os depoentes, o Deto sempre teve poucos funcionários - são cinco atualmente, contando com um militar cedido pela PM.

COLAPSO

O atual diretor do DETO relatou que, ao assumir o cargo no último dia 1º de fevereiro, encontrou o sistema de manutenção em colapso, com 40% da frota parada. Marco Antônio contou que, após várias notificações e quatro reuniões com representantes da JMK, percebeu que não havia mais possibilidades de ajustes na esfera administrativa e, com auxílio da Procuradoria Geral do Estado, partiu para a esfera judicial. Conforme o diretor, após a contratação emergencial da Maxifrota mais de 2 mil veículos já foram consertados e ainda há cerca de 5 mil à espera de reparos.

Já assessoria do governo Ratinho Junior (PSD) alega que a atual gestão é parte interessada no esclarecimento dos fatos e já encerrou o contrato com a JMK e fez, emergencialmente, um novo contrato de prestação de serviços.

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