O candidato do PSTU ao governo do Estado, Júlio Cezar de Jesus, ‘reza’ direitinho na cartilha do partido e já está divulgando no Paraná um dos eixos de campanha do candidato à presidência do PSTU, o metalúrgico trotskista José Maria de Almeida: reduzir a jornada de trabalho sem prejuízo de salário.
Jesus acredita que, apesar de mal recebida junto ao empresariado, a medida poderia salvar milhões de trabalhadores. ‘‘Preencher os vazios de produção pela massa de desempregados aumenta o nível de renda social e inverte a lógica da atual situação econômica e política. Não há outra forma de superar essa crise’’, garante. Ele lembra que 20% da capacidade da indústria automotiva está ociosa.
Para o candidato, a redução de jornada sem diminuir salário poderia ser feita pelo empresário se ele deixasse de ‘‘destinar 60% do lucro para a especulação financeira para pagar o excedente de horas ao trabalhador’’. ‘‘E essas horas que sobram ao funcionário o empresário poderia usar para desenvolver programas que tendem até a aumentar a produtividade’’, explica.
Jesus explica que o PSTU prega uma revolução econômica e social no País. ‘‘Mesmo que essa revolução não se materialize, as medidas de contenção dessa crise, que é mundial, levarão a convulsões sociais cada vez mais graves e a população tende a se enfrentar com o governo. Nosso partido quer dar consequências positivas a essas efervescências sociais’’.
Ele coloca como propostas principais a garantia de condições de vida à população com trabalho, moradia, saúde e educação. ‘‘Caminhamos para o retorno do escravagismo capitalista e precisamos dar um salto, apontar outra lógica’’. Júlio de Jesus disse ainda que o PSTU pretende ser reconhecido como aquele que ‘‘prenuncia os grandes acontecimentos da sociedade’’.
O candidato, de 37 anos, é servidor público federal da área da saúde e um dos fundadores do Sindiprevs. Ele fará sua terceira tentativa na política. Em 1996, disputou a prefeitura de Curitiba quando obteve apenas cerca de 8 mil votos. Em 1994, tentou uma vaga na Assembléia Legislativa, mas nem se lembra de sua votação. Estudante do primeiro ano do curso de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, Júlio Cezar de Jesus analisa com tranquilidade as votações inexpressivas. ‘‘Um partido que preconiza a revolução social e política, tradicionalmente não tem muitos votos. Se tivesse, significaria que está colocada uma situação revolucionária no País’’.(P.Z)

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