Jersey diz que Maluf é culpado por desvio de US$ 22 milhões
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de novembro de 2012
Das Agências 
A Corte de Jersey anunciou sua sentença final em relação ao processo do deputado federal e ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) e concluiu que o político desviou pelo menos 22 milhões de dólares dos cofres públicos de São Paulo. A Justiça da ilha também ordenou que o dinheiro, atualmente depositado em contas, em Jersey, seja devolvido à Prefeitura de São Paulo. De acordo com a sentença, o ''município foi vítima de uma fraude, que teve Paulo Maluf como um de seus participantes''.
A decisão foi anunciada em uma audiência ontem, em Jersey, e estabeleceu que Maluf foi ''parte da fraude'' cometida nas obras da Avenida Água Espraiada no final dos anos 90. A Corte entendeu ainda que Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, esteve envolvido na gestão desses recursos desviados.
Os juízes de Jersey aceitaram a argumentação dos advogados da Prefeitura de São Paulo de que duas empresas offshore eram usadas como instrumento de lavagem de dinheiro, em uma rota dos recursos que envolvia empresas brasileiras de construção, contas em Nova York e o depósito final no Deutsche Bank de Jersey.
Os advogados das empresas offshore ainda podem recorrer da decisão. Porém, tradicionalmente, em Jersey a decisão da Corte Real é mantida pelos instâncias de apelação.
Defesa
A assessoria de imprensa de Paulo Maluf divulgou nota ontem em que afirma que o processo na ilha de Jersey deixa claro que o ex-prefeito não é réu na ação. O texto volta a repetir que Maluf não tem conta no paraíso fiscal e que os recursos desviados não se referem ao período em que ele foi prefeito.
Apesar de negar relação da ação com o ex-prefeito, a nota da assessoria afirma que o processo é ilegal pois, entre outros argumentos, deveria ocorrer no Brasil. A nota diz ainda que cabe recurso da decisão.


