O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão atrelado ao Ministério da Fazenda que rastreia esquemas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, recebeu informação de que o ex-prefeito de Paulo Maluf (PPB) transferiu cerca de US$ 100 milhões da Suíça para a Ilha de Jersey. A informação sobre o ex-prefeito de São Paulo foi transmitida pessoalmente à presidente do Coaf, Adrienne Senna, pelo detetive-inspetor David Minty, da Financial Crimes Unit Unidade de Crimes Financeiros de Jersey, em maio de 2000, no Panamá.

Segundo Adrienne, seu interlocutor lhe disse que precisaria de ''algo mais explicativo para pedir ao banco local os dados e eventualmente bloquear os recursos existentes na conta''. Minty completou: ''Estes recursos foram transferidos para Jersey da Suíça e são bastante significativos; o total pode chegar a US$ 100 milhões.'' A revelação sobre o encontro faz parte de uma correspondência, enviada na época por e-mail, por ela ao Ministério Público de São Paulo.

O relatório confidencial foi juntado ao procedimento criminal aberto pela Procuradoria da República para investigar o caso Jersey existência de fundos financeiros em nome de Maluf e de familiares dele na Suíça e no paraíso fiscal do Canal da Mancha. O procedimento tramita na 8 Vara Criminal Federal de São Paulo e está sob segredo de Justiça.

Trata-se do único documento, em meio à volumosa papelada da investigação, que faz menção expressa a valores supostamente movimentados pelo pepebista no exterior. A mensagem de Adrienne teve como destinatário o promotor Marcelo Mendroni, que integra os quadros do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado.

No texto, Adrienne refere-se sempre ao ex-prefeito apenas com as letras PM. Ela abriu o caminho para Mendroni fazer contatos com Minty, passando ''as coordenadas'' do policial, números de telefone e de fax. Durante quase um ano, Mendroni insistiu com o policial para providenciar cópias de documentos sobre movimentações bancárias de Maluf. Minty nunca mandou um único papel.

Para o advogado Ricardo Tosto, que integra a equipe de defesa de Maluf, ''e-mails não são e nunca foram prova de coisa alguma''. Tosto e outros dois criminalistas desencadearam ousada ofensiva para amarrar as investigações. Na semana passada, livraram o ex-prefeito da ação penal sobre fraude na emissão de títulos para pagamento de precatórios. O processo era a base da apuração do caso Jersey.

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