Fortaleza - Um dia após formalizar seu afastamento da candidatura do senador José Serra (PSDB) à Presidência da República, o ex-governador do Ceará e candidato ao Senado, Tasso Jereissati (PSDB), pousou para fotógrafos e cinegrafistas ao lado de Ciro Gomes, candidato a presidente pela Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB). Os dois estiveram juntos ontem, em Fortaleza, ao meio-dia, durante uma solenidade no hotel Marina Park, onde os jogadores da Seleção Brasileira de futebol se hospedaram. Ciro recebeu do jogador Kaká, uma camisa com o número 23, número de Kaká e também da candidatura do trabalhista. Tasso foi recebeu de Cafu uma camisa de número 10, autografada por todos os jogadores da seleção.
Tasso negou que o gesto fosse uma espécie de engajamento à campanha do ''amigo'' Ciro Gomes e que o jogo Brasil e Paraguai tivesse alguma conotação política. ''Esta homenagem partiu dos próprios jogadores. Não existe aproveitamento político nenhum. Tanto que fizemos questão, assim como o pessoal da CBF, de não fazer nada no campo de futebol'', justificou. Ele reiterou que não fará campanha e nem pedirá votos para nenhum candidato à Presidência.
De acordo com Tasso, para que a cerimônia com os jogadores da Seleção e Ciro não fosse ''mal interpretada'' por Serra e seus colegas de partido, um dia antes ele enviou uma carta ao diretório nacional do PSDB. A carta foi redigida com bastante cuidado, para que não fosse vista como insubordinação. Para isso, contou inclusive com assessoria jurídica. ''Sou do PSDB, quero ficar no PSDB até o fim'', declarou.
Ele alegou, no entanto, que as circunstâncias locais o impedem de se engajar na candidatura Serra e que sua amizade com Ciro não será destruída com campanhas. ''Para não causar nenhum tipo de constrangimento a ninguém, resolvi não participar.''
Tasso acrescentou que não está fechando seu palanque para Serra. Ao contrário, o está liberando para que ele venha ao Ceará e divida espaço com o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, Sérgio Machado, de quem Tasso é inimigo político. ''Queria deixar claro que eu não seria empecilho para a campanha de Serra no Ceará, que ele (Serra) poderia vir para o palanque de quem ele desejar e que eu iria entender'', argumentou.
O ex-governador informou ter conversando ontem de manhã com Pimenta da Veiga, coordenador de campanha de Serra, sobre a carta. ''Ele (Pimenta) me disse que não houve problema algum'', comentou Tasso. Em seguida, reafirmou que, no caso de Ciro vir a disputar o segundo turno contra Lula, o PSDB, ''por uma questão de coerência'', ficaria com o candidato da Frente Trabalhista.

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