Brasília - O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou um suposto esquema de ''mensalão'' na Câmara dos Deputados, concentrou ontem seus petardos contra o presidente nacional do PT, José Genoino. ''Ele não pode fugir disso'', disse o deputado, que defendeu o afastamento de Genoino do PT. A ''palavra final'' no esquema, no entanto, afirmou ele, partia sempre do ministro demissionário José Dirceu.
Acompanhado por um advogado e por uma assessora, Jefferson disse que a prática de pagamento irregular a deputados começou na Assembléia do Rio de Janeiro e foi ''implantada'' na Câmara pelo deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ). ''Sei que o Valdemar (Costa Neto, presidente do PL), desde o início, junto com o Bispo Rodrigues, implantou o ''mensalão' no PL. Essa prática do ''mensalão' vem do Bispo Rodrigues desde a Assembléia do Rio. Ele levou essa prática para o PL e acabou impregnando o Delúbio (Soares, tesoureiro do PT) com isso. O Delúbio trazia os recursos para eles fazerem a divisão. Isso eu vou bater porque sei que acontece.''
Além da saída de Genoino, Jefferson defendeu ainda o afastamento de Dirceu, de Delúbio Soares e de Sílvio Pereira (secretário-geral do PT) do Partido dos Trabalhadores. Das oito ou dez reuniões que disse ter tido com a cúpula do PT sobre ''mensalão'' ou sobre estratégias eleitorais, Jefferson afirmou que Genoino ''participou sempre, sempre''. Alguns desses encontros, afirma, ocorreram no gabinete da Casa Civil.
Jefferson afirmou ter provas novas de supostas irregularidades que envolveriam Sílvio Pereira. Disse que já está distribuindo documentos que recebeu de empresas estatais para membros da CPI dos Correios.
O presidente do PT, José Genoino, por meio de sua assessoria de imprensa, negou ontem que tenha participado de reuniões com Roberto Jefferson sobre o suposto pagamento de ''mensalão''.

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