Jefferson vai ao STF para anular processo
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quinta-feira, 15 de setembro de 2005
Luiz Francisco<br>Folhapress 
Brasília - O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) recorreu da decisão da Câmara ao STF (Supremo Tribunal Federal) e anunciou que vai requerer aposentadoria. Também disse ontem que o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) deve se desligar do PTB. O pedido ao STF foi feito anteontem à noite. Segundo o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que assinou um mandado de segurança impetrado no STF com pedido de liminar, Jefferson não teve direito a ampla defesa e ao contraditório.
Outra alegação é que o presidente do PL, Waldemar Costa Neto, autor da representação contra Jefferson no Conselho de Ética da Câmara, teria admitido, em depoimento, a existência do chamado ''mensalão''. ''A confissão de Costa Neto foi suprimida do texto final do deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), relator do processo que culminou com a cassação do deputado.
Ele cobrou a saída de Walfrido do PTB. ''Vou fazer um apelo para a minha bancada se afastar do governo. Conversei com o ministro Walfrido e ele me disse que, a partir do momento que eu fosse criticar o presidente Lula, como estou fazendo duramente, ele se desligaria do PTB, porque ele ficaria no governo e sairia do partido. E é hora de ele fazê-lo'', disse Jefferson.
''E se o PTB ficar atrelado ao governo por causa do Ministério do Turismo será um partido de traque'', disse Roberto Jefferson, autor das denúncias sobre o suposto ''mensalão'', cassado anteontem por 313 votos - 156 parlamentares votaram pela sua absolvição e 20 se abstiveram.
Jefferson justificou os 313 votos favoráveis à cassação. ''São os 300 picaretas do presidente Lula, o 13 do PT (número do partido) e os picaretas do PT. Eu só não sabia que seria um número tão cabalístico.''
O ex-parlamentar, que vai voltar a morar no Rio de Janeiro, disse que já começou a arrecadar os R$ 4 milhões que teriam sido repassados pelo PT antes das últimas eleições. ''Não fiquei com nenhum centavo. Os companheiros que receberam o dinheiro vão me ajudar a devolvê-lo por via legal'', disse, sem citar os beneficiários.
Em entrevista coletiva, evitou pedir a saída de Luiz Inácio Lula da Silva. ''Não quero o impeachment dele não. Quero que ele vá até o final. Cada dia, uma agonia, a máscara do PT está caindo, e a máscara do governo dele também. Se você interromper agora, ele pode dar uma de Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela), dizer que está sendo perseguido pela direita e pelas elites, que é um homem do povo.''
O presidente licenciado do PTB disse também que vai requerer aposentadoria parlamentar. ''Eu preciso sobreviver a partir de agora. Vai ser difícil para mim daqui para a frente.'' Jefferson ironizou os relatos de que Lula ficou aliviado com a cassação: ''No meu mandato, estava sendo um incômodo muito grande para o governo''.
Com ironia, o ex-deputado comparou o presidente Lula ao ex-presidente do PT José Genoino. ''Tenho para mim que o presidente Lula é uma espécie de Genoino. O Genoino presidiu o PT sem ler o que assinou, não sabia o que acontecia no partido, era avalista de empréstimo de milhões e não sabia. E o Lula é a mesma coisa, o que ele assina ele não sabe. E como ele é preguiçoso, ele delegou poderes ao deputado José Dirceu.''
Para Roberto Jefferson, o presidente Lula sabia da corrupção no governo. Ele afirmou, contudo, que foi mal-interpretado em seu discurso anteontem: ele teria dito que assessores de ministros, e não os próprios ministros, receberam dinheiro. Jefferson insinuou que o volume movimentado ilegamente por integrantes do governo e deputados é ''bem maior'' do que está sendo divulgado. ''Jamais imaginei que dava R$ 2 bilhões, só no Banco Rural e BMG. E os fundos de pensão? E a ação do Gushiken? Por que o ''japoronga' foi se esconder debaixo da saia da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)?.''


