Jefferson promete revelar lista do mensalão
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quinta-feira, 21 de julho de 2005
Ariosto Teixeira<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente nacional licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), começou a preparar o que considera o discurso da cassação do mandato parlamentar pelo plenário da Câmara. Jefferson disse ao presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que pretende apresentar da tribuna a lista dos deputados que, supostamente, recebiam o suborno de R$ 30 mil o chamado ''mensalão'' para participar da base de apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente nacional licenciado do PTB procurou Bornhausen na noite de terça-feira e foi recebido por ele em seu apartamento funcional, em Brasília. Jefferson e Bornhausen tiveram uma longa conversa. O presidente nacional do PFL afirmou, em declaração para a página do partido na internet, que sempre teve um relacionamento cordial com o presidente nacional licenciado petebista. ''Eu convidei-o ao meu apartamento e conversamos sobre o momento atual.''
Jefferson disse a Bornhausen, segundo revelaram fontes do PFL, que reuniu todas as provas necessárias ''para enfrentar'' o deputado José Dirceu (PT-SP) numa acareação, seja no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, seja na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão. O presidente nacional petebista acusa Dirceu de ser o criador e o coordenador da corrupção na administração federal, de onde sairiam os recursos para o aliciamento das bancadas aliadas.
Assim como antecipou que o depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar seria ''um tsunami político'', Jefferson afirmou acreditar que agora poderá dividir a crise ''em antes e depois'' do que pretende fazer. Ele disse ainda que não deseja mais poupar ninguém, nem mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem sempre preservou desde a revelação dos escândalos.
Jefferson procurou Bornhausen com o objetivo de saber quais os limites a que o PFL julga que é possível chegar nas investigações dos escândalos e se existe uma predisposição para participar de entendimento com o Poder Executivo com o objetivo de ocultar eventuais descobertas nos inquéritos parlamentares.
O presidente licenciado do PTB ouviu dele que o PFL não quer pedir a apuração de Lula, mas também não se dispõe a encobrir qualquer denúncia, seja quem for o alvo. O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), avalia que o desenrolar da crise se tornou preocupante ''porque as descobertas da CPI dos Correios estão ficando muito próximas do gabinete presidencial''. Agripino acrescentou: ''O que eu posso dizer é que, da parte do PFL, não empurraremos nada para debaixo do tapete.''


