Brasília - Em depoimento a portas fechadas prestado ontem à comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) se negou a dizer o que teria feito com os R$ 4 milhões que teria recebido do PT em 2004 e se recusou até mesmo a confirmar se chegou a distribuir a quantia aos candidatos do PTB. Jefferson afirmou também que o seu genro Marcus Vinicius Vasconcelos era o seu ''ouvido nas estatais'' e tinha a função de lhe informar sobre o acontecia nos órgãos nos quais o PTB possuía indicados em cargos de comando.
O petebista disso isso ao ser questionado sobre o porquê do trânsito de Ferreira em outras estatais que não a Eletrobras, onde trabalhava. O genro de Jefferson foi acusado de integrar um suposto esquema de corrupção do PTB praticado em estatais. O depoimento de duas horas e meia foi tomado no apartamento de Jefferson, que diz ter feito um acordo com o PT em 2004 para receber R$ 20 milhões, que seriam distribuídos a candidatos petebistas. Só R$ 4 milhões teriam sido repassados. Não há menção a esse valores na contabilidade dos dois partidos. O PT nega a história.
Na fala de ontem, de acordo com pessoas que ouviram o depoimento, Jefferson voltou a dizer que só revelará o destino do dinheiro caso o PT apresente o recibo da doação eleitoral.
A Corregedoria também ouviu ontem sigilosamente Miro Teixeira (PT-RJ) e Iris Simões (PTB-PR), que confirmou ter recebido de Jefferson a ordem de dizer a Pedro Henry (PP-MT) que o esquema seria denunciado no plenário caso ele, Henry, não parasse de cooptar petebistas com promessa de dinheiro. Henry nega. Simões disse, porém, não ter levado o recado ao deputado do PP.

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