Brasília - O presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), distribuiu, ontem, mais de 200 cópias da fita gravada na qual o ex-diretor de material dos Correios Maurício Marinho é flagrado cobrando propina para autorizar licitações. O congressista afirmou ainda que vai assinar o pedido de CPI para investigar a estatal e colocou os cargos que o PTB ocupa no governo à disposição do presidente Lula. A distribuição das fitas foi uma das táticas de defesa de Jefferson, acusado de participar de um esquema de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) segundo apurou a revista ''Veja''.
Jefferson entregou uma cópia da fita divulgada pela ''Veja'', e uma carta de Marinho na qual ele confessa ter mentido e usado em falso o nome do PTB. Segundo Jefferson, fica claro, ao ouvir a transcrição total da fita, que Marinho ''não está vendendo nem comprando nada. Está sendo contratado para ser consultor''.
''Maurício Marinho confessa na carta que mentiu, foi leviano e tentou mostrar importância que não tem. Durante toda a conversa ele tenta mostrar relações que não tem e intimidade comigo, o que ele não possui'', afirmou Jefferson, em discurso no plenário da Câmara.
Segundo o presidente nacional do PTB, é comum que pessoas façam este tipo de papel, ''cobrar propina, vender prestígio, tentar passar a noção de intimidade e confiança. Maurício Marinho tentou mostrar mais importância do que possui. Ele não é dos quadros do PTB, é funcionário de carreira dos Correios há 28 anos''.
Ainda de acordo com o deputado, a fita demonstra que Marinho envolveu não só o seu nome, mas o de outros integrantes do governo, na tentativa de parecer ser mais importante do que era.
O deputado afirmou que não teme uma nova CPI (comissão parlamentar de inquérito) envolvendo seu nome Jefferson esteve envolvido na CPI do PC (Paulo Cesar Farias), que levou ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor. ''Ao descer desta tribuna, quero avisar que vou assinar o pedido de CPI para investigar as denúncias de corrupção nos Correios. Eu já fui investigado por uma CPI. Não temo passar de novo por este sofrimento. Não sou mais o troglodita que mete medo. Não usei meu mandato para me locupletar. O PTB não teme a CPI. O PTB não é um partido fisiológico e aviso aqui e agora que todos os cargos ocupados pelo partido estão à disposição do governo.''
Além de fazer um balanço do seu patrimônio que segundo ele se resume a uma casa no valor de R$ 500 mil em Petrópolis e um escritório no valor de R$ 100 mil no Rio de Janeiro , Jefferson também lembrou dos cargos que seu partido ocupa no governo e negou que o PTB tenha indicado qualquer diretor para a Infraero ou para a Braspetro.
''A reportagem (da ''Veja'', com as denúncias de suposto esquema de corrupção) diz que o PTB indicou dois mil cargos no governo. Eu não sei disto. Nem eu nem a Executiva Nacional do PTB temos conhecimento deste fato. Se tem estes cargos, não me contaram'', acrescentou.

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