Brasília - O presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), prepara o mais importante pronunciamento de sua carreira como um mestre do suspense. Na terça-feira, ele vai falar na Comissão de Ética da Câmara. A cada parlamentar que o procura em busca de informações sobre o pagamento do ''mensalão'', Jefferson tem dado pistas que provocam pânico entre os políticos. A grande dúvida alimentada pelo petebista é sobre a existência de provas capazes de sustentar suas acusações e até mesmo abrir novos caminhos de investigação. O relato feito pelo líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), sobre o conteúdo e a forma do pronunciamento de Jefferson, impressiona mais pela retórica do que pela capacidade de realmente colocar parlamentares no banco dos réus.
''Quero ser cassado porque não quero ser deputado em uma Câmara presidida pelo deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Quero ser cassado porque não quero ser colega de José Janene (PP-PR). Quero ser cassado porque não quero ser colega de Valdemar Costa Netto (PL-SP)'', deverá dizer Jefferson, segundo versão transmitida a Múcio.
Nesse mesmo relato, Jefferson teria avisado que não pouparia o ministro-chefe do gabinete Civil, José Dirceu, nem tampouco o tesoureiro do PT, Delúblio Soares. Teria ainda prometido ilustrar seu discurso com a apresentação de fitas e provas para acusações, embora tenha negado que tenha gravado seus interlocutores. Um ministro teria procurado o presidente do PTB com proposta de trégua, mas ficou apenas na solidariedade.
Nas suas confidências, o presidente do PTB disse que pretende falar por três motivos. Primeiro, seria o de prestar um serviço ao Brasil. O segundo motivo alegado seria o de limpar sua própria honra e o terceiro ficaria por conta da tentativa de salvar o PTB.
Em todas as conversas com os representantes do PTB em sua casa, Jefferson pediu a seus colegas que não o demovessem da idéia de fazer o discurso bombástico. Ele estaria certo de que não tem mais como recuar e que o melhor dos mundos, para ele nesse momento, é ser cassado por ter denunciado a mesada dos deputados da base aliada. Pior, para ele, seria a cassação com base na denúncia de que ele comandava um esquema de propinas nos Correios.
O parlamentar contou que Jefferson tem demonstrado tranquilidade ao explicar e detalhar as linhas gerais de seu contra-ataque. Ele não se limitará a acusar deputados de menor expressão, mas sim as principais lideranças que estariam envolvidas no esquema do chamado ''mensalão''. A avaliação entre os líderes de oposição é a de que, se subir a tribuna para revelar como funcionava o mensalão, Jefferson, acusado de comandar um esquema de propinas nos Correios e outras estatais, não salvará seu mandato mas poderá jogar luzes sobre as nebulosas relações entre governo e Congresso.

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