Jean Wyllys se diz surpreso com estratégia de Ratinho
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O deputado federal reeleito Jean Wyllys (Psol-RJ) afirmou ontem que existe uma tendência de crescimento do conservadorismo no Brasil, evidenciada pela votação expressiva de políticos como Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP), mas que esse fenômeno não é recente. "Muita gente falou em guinada conservadora. Guinada é quando a gente vive uma realidade e, de maneira abrupta, passa a viver outra. Não houve essa mudança brusca", avaliou.
O parlamentar conversou com a reportagem da FOLHA antes de participar de uma plenária sobre mídia e movimentos sociais, organizada pelo curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Segundo ele, desde as eleições de 2010, temas como direitos LGBT (de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e descriminalização das drogas têm sido colocados em pauta sistematicamente, no entanto, essa visibilidade se dá muito mais pela atuação de setores que antes não reivindicavam seus direitos, como a própria comunidade LGBT, os povos indígenas, o povo de santo, os negros e as mulheres, do que pela iniciativa dos candidatos aos cargos eletivos.
"Nenhum dos candidatos (à Presidência) colocou, a não ser a Marina (Silva), indiretamente, à medida que ela apresentou um programa bastante avançado em relação aos demais, e que, chantageada pelo Pastor Silas Malafaia, recuou", disse. "Não foi uma concessão das campanhas. Foi uma imposição do movimento social. As pessoas estão discutindo isso. E há, ainda, a centralidade do papel das redes sociais na reconfiguração da esfera pública, que colocam temas à revelia dos partidos", completou.
Jean também contou que ficou surpreso não com a quantidade de votos, mas com a estratégia traçada por Ratinho Jr. (PSC), deputado estadual mais votado do Paraná e que já afirmou sonhar em ser governador. Ao se eleger para a Assembleia Legislativa (AL) do Estado, o filho do apresentador de TV Carlos Massa "puxou" outros 11 parlamentares do PSC, fazendo da bancada do partido, que até então contava com apenas dois representantes, a maior da AL.
"Isso tem a ver com a maneira como o fundamentalismo religioso se organizou política e economicamente, como tomou as Câmaras, as Assembleias e agora tem uma expressão grande no Congresso. Existe o objetivo claro de fazer o alinhamento do Poder Executivo com o Legislativo", opinou. De acordo com ele, essa seria uma ameaça à democracia. "O fundamentalismo religioso, e o conservadorismo de maneira geral, com as suas tintas fascistas, são ameaças à democracia porque não respeitam a diversidade humana, não respeitam a diversidade cultural e não reconhecem as minorias".
Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostrou que o Congresso Nacional eleito no último dia 5 é o mais conservador desde 1964. Para o deputado, como forma de fazer o contraponto, a esquerda precisa intensificar a sua atuação, ampliando a sua base social. "Os movimentos sociais não fizeram um trabalho fundamental, que é a disputa dos corações e das mentes. É inadmissível que entre os eleitores desses caras (Bolsonaro e Feliciano) haja muitos universitários, alunos que estão reproduzindo preconceitos que a universidade deveria ter desconstruído e não desconstruiu". Em relação ao Psol, ele também comentou que, talvez, seja a hora de a legenda investir em estratégias de abertura de diálogo com a sociedade, especialmente em Estados como o Paraná, que nunca elegeu um membro do partido para cargos eletivos.


