Brasília - Na colaboração premiada que firmaram com a PGR (Procuradoria-Geral da República), delatores da JBS afirmaram ter pago mais de R$ 30 milhões em propina para conseguir vantagens no Ministério da Agricultura. Nesta sexta (9), colaboradores foram presos acusados de omitir informações e também de tentar obstruir investigações.
A delação foi homologada pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em maio de 2016, mas novas informações foram repassadas e depoimentos foram dados para detalhar os assuntos tratados no material.
Alguns dos acordos dos representantes da JBS passaram a ser questionados pelo Ministério Público, que pediu o cancelamento dos benefícios concedidos.
Até hoje, no entanto, o STF não decidiu sobre o caso. Dessa forma, os compromissos firmados continuam válidos.
Ao todo, mais de dez anexos entregues pelos executivos tratam do assunto. Pelo menos nove depoimentos foram dados sobre o tema e uma planilha de pagamentos também especifica o esquema.
Uma foto de um dos delatados, o ex-ministro Neri Geller, eleito agora deputado federal pelo PP em Mato Grosso, também consta no material. Sobre Geller, a PF disse que os delatores omitiram pagamentos.

Origem
O inquérito, que está Minas Gerais, teve início por causa de uma delação premiada do doleiro Lúcio Funaro. O delegado Mário Veloso, responsável pela apuração que resultou na prisão desta sexta (9), ouviu os delatores da JBS diversas vezes e não contestou versões, de acordo com os advogados da empresa.
No último contato, em setembro, o policial permitiu que os colaboradores se manifestassem por escrito em algumas dúvidas que restavam, ainda segundo a defesa.
Na delação, Joesley Batista contou que pagou pela regulamentação da exportação dos despojos, que são subprodutos do abate bovino não comestíveis no Brasil. A propina foi estabelecida em R$ 2 milhões e foi lançada em uma conta corrente, mantida por Funaro, para repasse ao ex-deputado Eduardo Cunha. Em outro anexo da colaboração premiada, os executivos disseram ter repassado R$ 30 milhões para garantir a reeleição do emedebista para a presidência da Câmara dos Deputados. (Folhapress)

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