Jatene diz que FHC não prioriza Saúde
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaDesentendimentoJatene: não dá para entender os critérios da equipe econômicaO cardiologista Adib Jatene criticou ontem a equipe econômica ao avaliar o orçamento deste ano para a saúde. O poder não está frequentemente nas mãos dos que ocupam cargos, afirmou. Está nas mãos dos que financiam as campanhas dos que ocupam os cargos e que, por coincidência, são os mesmos que sustentam a mídia e comandam o processo legislativo.
Para Jatene, que está participando do 13º Congresso Mundial de Cardiologia, a prioridade do governo é a economia, não a saúde. A área econômica não consegue entender os problemas da pobreza, disse. E os médicos que lidam com a pobreza não conseguem entender as limitações da área econômica. Jatene afirmou que, em um primeiro momento, viu com bons olhos a indicação de um economista para a pasta da Saúde. Tinha esperanças de que um economista conseguisse mobilizar os recursos necessários, afirmou. Mas já estou preocupado.
Segundo o médico, o orçamento da saúde para este ano, de R$ 20 bilhões, é proporcionalmente inferior aos R$ 15 bilhões de 1995, quando ele estava à frente do ministério e criou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) justamente para suprir as necessidades orçamentárias da época.
Se, sobre o valor de 1995, somássemos a inflação e os R$ 7 bilhões extras da CPMF, era para termos este ano R$ 29 bilhões, afirmou. O médico lembrou ainda que, segundo a Constituição, o orçamento da saúde deve ser equivalente a 30% do orçamento da seguridade e, portanto, deveria chegar a R$ 30 bilhões. Quando houve a crise asiática, o governo levantou R$ 20 bilhões para não tirar da bolsa, afirmou, lembrando que o governo demonstrou, dessa forma, que sua prioridade é a economia.
Jatene considera mentiras absurdas as críticas segundo as quais há muito dinheiro para a saúde sendo mal administrado. Ao contrário, é uma gestão incrível, afirmou. Fazer 360 milhões de consultas, 12 milhões de internações e 3 milhões de hemodiálises por ano com esse orçamento é incrível. Jatene citou como exemplo a França, que tem 56 milhões de habitantes e gasta US$ 100 bilhões por ano com saúde. No Brasil, somos 160 milhões de pessoas e gastamos, somando os recursos públicos com os privados, US$ 40 bilhões.


