Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) reconciliaram-se na noite de quarta-feira durante jantar no Palácio da Alvorada. Com gentilezas dos dois lados, o clima do reencontro nem de perto lembrava as ácidas declarações disparadas por eles no final do ano passado. ‘‘Não foi preciso quebrar o gelo, porque não havia um clima ruim’’, disse ACM ontem à tarde. ‘‘Tudo isso era mais uma exploração do que qualquer coisa’’, reforçou o senador. ‘‘Nos encontramos como velhos amigos.’’
O senador baiano fez uma análise dos últimos episódios envolvendo os dois. ‘‘Eu gosto de hierarquia, respeito o presidente, mas isso não impede que invista num assunto quando achar conveniente’’, justificou. ‘‘O clima do reencontro foi muito bom’’, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, única testemunha do jantar. ‘‘Os dois estavam dispostos a acabar com essas intrigas.’’
O líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), que ontem conversou com Fernando Henrique, disse que, segundo o presidente, o encontro ‘‘foi ótimo’’. ‘‘Agora está tudo bem’’, declarou. Mas apesar do compromisso assumido por ACM e o presidente de restaurar a harmonia na base aliada, tucanos e pefelistas avaliam que o temperamento forte dos dois políticos ainda deve gerar conflitos até o final do mandato do presidente Fernando Henrique.
Segundo o secretário Pedro Parente, que articulou o encontro, durante o jantar os dois políticos repassaram todas as questões pendentes e que foram alvo de divergências nos últimos meses. Todas as entrevistas foram relembradas, inclusive as que o senador baiano chamou o presidente de indeciso e cobrou dele mais empenho na articulação política e a que o Fernando Henrique disse que ACM não mandava em seu governo. ‘‘Foi um começo de entendimento, mas ainda existem divergências’’, constatou ACM. ‘‘Mas a inteligência e a boa vontade podem resolver qualquer coisa.’’

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