Janot pede para arquivar investigações contra Aécio Neves
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quarta-feira, 04 de março de 2015
Andreza Matais e Debora Bergamasco<br>Agência Estado 
Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento das investigações envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na Operação Lava Jato. Janot considerou insuficientes as informações fornecidas pelo doleiro Alberto Youssef. Em delação premiada à qual a Agência Estado teve acesso, o delator afirmou que o tucano teria recebido dinheiro fruto de propina de Furnas por meio "de sua irmã", porém não soube dar detalhes. Aécio disse à reportagem que vê na recomendação de Janot "uma homenagem".
O termo de colaboração número 20, que registra confissão do doleiro no fim do ano passado, tem como "tema principal: Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB". Além de Aécio, também são citados o ex-deputado José Janene (PP, morto em 2009) e um executivo da empresa Bauruense. O portal estadão.com.br revelou na tarde de ontem o conteúdo da citação do sobre o tucano, que esta sob sigilo.
Youssef relatou aos investigadores que recolheu dinheiro de propina na empresa Bauruense, prestadora de serviços para Furnas, cerca de dez vezes. Em uma delas, foi informado de que o repasse não seria feito integralmente e que faltariam R$ 4 milhões porque "alguém do PSDB" já havia coletado a quantia pendente.
Indagado pelos procuradores, Youssef declarou não ter informação de qual parlamentar havia retirado parte da comissão, mas afirmou "ter conhecimento" de que o então deputado federal Aécio Neves teria influência sobre a diretoria de Furnas e que o mineiro estaria recebendo o recurso "através de sua irmã", segundo o texto literal da delação, sem especificar a qual das duas irmãs do senador ele se referia. O delator disse ainda "não saber como teria sido implementado o comissionamento de Aécio Neves".
Na delação, o doleiro descreve que "de 1994 a 2001 o PSDB era responsável pela diretoria de Furnas". Youssef declarou que recebia o dinheiro que era de José Janene nas cidades paulistas de Bauru e de São Paulo e enviava o valor para Londrina ou Brasília. No depoimento, revelou ainda que os diretores da Bauruense poderiam fornecer mais informações sobre a diretores de Furnas e declarou ao MPF ter conhecimento de que há um inquérito sobre a empresa de Bauru no Supremo Tribunal Federal.
Congressistas do PSDB disseram à reportagem que um deputado do partido com interlocução no Ministério Público chegou a procurar Rodrigo Janot quando foram divulgados na imprensa rumores sobre a citação do nome do tucano pelo doleiro. A conversa teria sido dura e o procurador lembrado que uma denúncia vazia demonstraria apenas a intenção de envolver a oposição no esquema comandado pelo PT, PMDB e PP. Janot também teria sido lembrado que Aécio teve 53 milhões de votos nas últimas eleições e que o partido não aceitaria a politização da denúncia. A assessoria de Janot não respondeu a questionamentos da reportagem sobre uma suposta conversa a respeito de Aécio.
Aécio acusou o governo de ter atuado para incluir a oposição na lista dos políticos acusados de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. "Recebo como uma homenagem o arquivamento. Foram infrutíferas as tentativas de setores do governo de envolver a oposição na investigação", disse. Questionado sobre quem do governo teria atuado junto aos investigadores para prejudicá-lo, o senador não respondeu. O tucano afirmou que não sabe de nada a respeito das citações ao seu nome no processo da Lava Jato e disse não ter interesse em se informar. O senador disse ainda que não foi comunicado por Janot de que seu nome havia sido mencionado.


