Janene revida as acusações e cobra Ministério Público
Janene revida as acusações
e cobra Ministério Público
Arquivo FolhaDeputado José Janene: Tem que parar. Londrina já tem muita pizzariaO deputado federal José Janene (PPB) negou, na sexta-feira, que tenha qualquer envolvimento com a Mercoluz, vencedora de algumas licitações da Comurb investigadas pelo Ministério Público. Segundo ele, o único fato que o liga à empresa é um contrato de locação entre a empresa e o imóvel da Rua Fernando de Noronha, que está no nome da família.
Além disso, ele confirmou que os atuais donos da empresa trabalharam para ele na antiga Eletrojan; e que guarda um caminhão, que usa em campanhas políticas, no barracão da Mercoluz. Mas isso eventualmente. Normalmente os caminhões estão sempre rodando, afirmou.
Em relação à Eletrojan, ele disse que se desligou da empresa assim que foi eleito deputado federal, em 1994. Constitucionalmente, não posso ser sócio de empresa que trata de contratos públicos. Por isso, vendi minha participação, explicou. Pouco tempo depois, a própria Eletrojan teria encerrado as atividades.
O deputado também comentou o caso que envolveu a antiga empresa dele em Foz do Iguaçu, na época noticiado pela imprensa. Em julho de 97, a Eletrojan foi denunciada pelo Ministério Público por fraudar, em 1994, uma licitação para a obra de iluminação em uma avenida da cidade. A empresa (Eletrojan) foi citada numa ação. Mas rebatemos e ganhamos a ação na Justiça, garantiu. Ele afirmou que naquela licitação concorreu com outras 13 empresas e venceu por apresentar o menor preço. Apesar de executar a obra, Janene que acabou não recebendo pelo serviço. Mas não existe nenhuma pendência na Justiça.
Sobre as novas investigações, na AMA e na Comurb, Janene fez uma cobrança ao Ministério Público. Para ele, se há evidência de que houve irregularidade na administração municipal, os promotores deveriam ter denunciado os responsáveis há muito tempo. Ele diz temer que, depois de todo barulho provocado na imprensa e na sociedade, essas denúncias acabem em pizza, como teria ocorrido com a compra de área da Fazenda Refúgio, na zona sul, conhecida como Pirambeira; e também as 212 contratações irregulares da Comurb, no início da administração do prefeito Antonio Belinati (PFL). Tem que parar de fazer pizza. Porque Londrina já tem muita pizzaria, ironizou.
O deputado também estranhou o fato de o prefeito Belinati (PFL) até agora não ter sido chamado na promotoria para prestar esclarecimento. Na administração municipal, quem responde é o prefeito. E se há evidências (de irregularidades), é o prefeito quem tem de ser questionado. E isso não foi feito até agora, afirmou. E completou: Que se faça tudo de acordo com a lei. Porque senão dá a impressão de conotação política e a investigação perde o crédito.
O deputado comentou ainda que os promotores estariam liberando depoimentos de apenas parte das pessoas envolvidas na investigação, e não de todas. Mas não são os principais (personagens) do centro da investigação. Se é para liberar (depoimentos), então que se libere de todos, e não a conta-gotas, cobrou.
O promotor Bruno Galatti reponsável pela investigação ao lado dos promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin disse que o MP prefere não se manifestar sobre a posição do deputado. Disse apenas que a investigação só termina quando terminar o rastreamento dos cheques, determinando o destino dado aos valores desviados da AMA e da Comurb.
O prefeito também foi procurado pela Folha. Mas, segundo sua assessoria de imprensa, não foi localizado. Em outras ocasiões, Belinati disse esperar que as investigações sejam concluídas no menor prazo possível e que os envolvidos tenham punição exemplar. (L.H.)





