O deputado federal José Janene (PPB) se encontrou ontem com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para ingressar com uma representação criminal contra os promotores Bruno Galatti, Solange Novaes Vicentin e Cláudio Esteves, responsáveis pelas investigações que o envolvem. A informação foi repassada à Folha pelo presidente em exercício da executiva nacional do PPB, deputado Pedro Corrêa (PE), e confirmada pelo próprio Janene. ‘‘Ele recebeu (a representação) e vai mandar de ofício para o corregedor-geral de Justiça do Paranᒒ, disse Janene, que alega abuso de autoridade e instrução de judicial com documentos furtados.
A iniciativa do deputado é uma resposta à medida cautelar ingressada sexta-feira pelo Ministério Público (MP) pedindo a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dele, de sua mulher e das duas filhas, além de assessores e empresas que participaram de licitações fraudulentas na Prefeitura de Londrina. Os promotores – que também pediram a indisponibilidade de bens dos acusados – alegam que há fortes indícios de que Janene teria se beneficiado com parte do dinheiro desviado nas fraudes.
Segundo o presidente do PPB, Janene reclamou que um ‘‘maluco’’ estaria sendo usado pelo MP. Foi uma referência ao catador de latas João Bosco, que afirmou aos promotores ter trabalhado para Janene e que movimentou mais de R$ 20 milhões a serviço do escritório do deputado. ‘‘O deputado tem nos reiterado que pretende ir até o fim nessa luta. Isso não vai acabar bem porque o Janene é respeitado no Congresso’’, afirmou Corrêa.
Ontem de manhã, os promotores liberaram para o Movimento pela Moralização na Administração Pública a documentação que consta na medida cautelar. Só não serão fornecidos documentos referentes ao sigilo bancário. O material também será encaminhado para a Procuradoria Geral da República e para a Corregedoria da Câmara Federal. ‘‘Essa investigação, que trata de improbidade, também tem repercussão na esfera criminal. E como o deputado goza de imunidade, é necessário que os documentos sejam enviados ao Ministério Público Federal. Haverá também o envio para a Corregedoria para que a Câmara adote, se quiser, as providências que entenderem pertinentes’’, explicou Esteves.
Os promotores novamente evitaram responder aos ataques feitos por Janene. ‘‘Nosso papel, nesse momento, é atuar no processo’’, destacou. Sobre a insinuação de que parte dos documentos que constam na ação foi roubada do escritório do deputado, no início de agosto, o promotor comentou: ‘‘O fato é que não há nenhum documento utilizado nessa ação que tenha sido coletado após agosto. Só isso responde.’’
O movimento esteve no Fórum para prestar solidaridade aos promotores por causa dos ataques feitos pelo deputado. O advogado Carlos Roberto Scalassara disse que a partir das análises da documentação, o grupo pode decidir por uma ‘‘ação política’’. ‘‘A proposta é chamar toda as entidades que fazem parte do movimento e discutir até mesmo o pedido de cassação do deputado. Mas tudo vai depender da gravidade do que constar nesses documentos.’’
O gabinete do corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-CE), informou ontem que ele só deverá se pronunciar após receber oficialmente os documentos das investigações. A assessoria de imprensa do gabinete de Cavalcanti lembrou que o deputado foi o responsável pelo recorde de pedidos de cassação contra parlamentares – 11 no total –, três deles aprovados pelo plenário: Sérgio Naya (PPB-MG), Talvane Albuquerque (PTN-AL) e Hildebrando Paschoal (PFL-AC). (Colaborou Lúcio Horta)

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