O deputado federal José Janene (PPB) convocou ontem uma entrevista coletiva, no escritório de seu advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna, para tentar se explicar sobre as suspeitas de que ele teria se beneficiado com desvios de recursos da Prefeitura de Londrina. No lugar de esclarecimentos, no entanto, Janene fez um novo e feroz ataque contra os promotores que investigam o escândalo de corrupção na prefeitura e contra o Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina.
Segundo o deputado, os promotores Cláudio Esteves, Bruno Galatti e Solange Vicentin – principais responsáveis pelas investigações do caso AMA-Comurb – coagiram, sem exceção, todas as pessoas que prestaram depoimentos contra ele, além de utilizar métodos de tortura. Já o movimento foi acusado de ‘‘clandestino’’ e ‘‘laranjas’’ utilizados para denigrir a sua imagem.
A entrevista foi dada um dia após a divulgação de depoimentos que instruíram a medida cautelar proposta sexta-feira contra o deputado, familiares dele e empresas. Uma das principais acusações contra Janene é que ele teria recebido uma caixinha de R$ 21 mil mensais, durante dois anos, do grupo Tâmara-Principal, de Maringá.
A divulgação dos depoimentos que revelavam novas informações sobre o suposto envolvimento do parlamentar no caso foi feita pelo Movimento pela Moralização. Os integrantes tiveram acesso aos documentos junto ao Ministério Público (MP).
‘‘Os depoimentos foram tomados sob algemas, as pessoas foram ameaçadas de prisão para dar declarações’’, acusou. A maior ‘‘prova’’ da coação, segundo ele, foram as a entrevistas dadas à imprensa pelo catador de latas João Bosco, ex-funcionário do escritório político de Janene e que disse ter movimentado mais de R$ 20 milhões para o deputado. Bosco disse que no ano passado, quando descontava cheques para Janene num banco, foi abordado por ‘‘oficiais’’, com ‘‘sotaque do sul’’, que o interrogaram algemado numa Van estacionada próxima da agência.
‘‘O Bosco, que tem a capacidade mental diminuída, disse que foi algemado e prestou declarações dentro de um camburão. Disse que foi ameaçado de prisão a menos que roubasse documentos do meu escritório. Foi ameaçado pelos promotores que se faziam passar por policiais. Porque a Polícia Federal, a Polícia Civil, a Receita, ninguém manteve contato com esse rapaz’’, afirmou. Questionado se dá para confiar no que diz um rapaz com a ‘‘capacidade mental diminuída’’, Janene retrucou: ‘‘Por isso pedi exame de sanidade mental, nele e nos promotores.’’
O deputado ainda acusou os promotores de estarem envolvidos na invasão de seu escritório político, em agosto, para pegar documentos que instruíram a medida cautelar. ‘‘Hoje eu tenho certeza que eles tiveram participação porque os documentos que eles usaram foram roubados.’’ Além disso, revelou uma nova invasão no escritório, que teria ocorrido em fevereiro, quando também documentos teriam sumido.
Janene ainda reclamou da convocação da mulher, Stael Fernanda Rodrigues Lima, para depor no MP. ‘‘Vejam que eles são tão marginais que deram entrada na ação (cautelar) na sexta-feira e na segunda tentaram intimidar minha família, fazendo uma intimação a minha esposa. Ora, se eles já deram entrada na Justiça não podem mais se aproximar’’, alegou. ‘‘É a prova cabal do crime’’, completou Vianna.
Apesar de negar o recebimento de caixinha do grupo Tâmara-Principal, ele admitiu que intermediou um contrato comercial do grupo. Sobre os recibos de depósitos bancários, afirmou: ‘‘Os depósitos que os promotores criminosamente colocaram na ação são depósitos feitos por mim na conta da minhas filhas e da minha esposa. Contas normais, do dia a dia, e é inadmissível que os promotores façam como verdadeiros marginais mandando roubar documentos.’’
Questionado sobre os motivos que teriam levado os promotores a fazer a ‘‘perseguição odiosa’’ contra ele, Janene arriscou: ‘‘Em março de 99 eu pedi para que eles parassem de tripudiar pessoas inocentes para proteger bandidos’’, alegou.

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