Janene não fala sobre movimentação financeira
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de março de 2007
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
O ex-deputado federal José Janene (PP) se recusou - segundo a Polícia Federal (PF) - a prestar esclarecimentos sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade ideológica envolvendo sua mulher, Stael Fernanda, e dois assessores, Rosa Alice Valente e Meheidin Hussein Jenani. Janene compareceu ontem pela manhã na PF, mas invocou o direito constitucional de permanecer calado.
Segundo informações do delegado Gerson Machado, o inquérito apura a origem de aproximadamente R$ 4 milhões depositados nas contas bancárias de Stael Fernanda e dos dois assessores. Pelo menos R$ 700 mil são provenientes da corretora Bônus-Banval, de São Paulo, que, segundo o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, teria recebido recursos do publicitário mineiro Marcos Valério - apontado como operador do chamado escândalo do mensalão.
Em depoimento à PF no ano passado, Rosa Valente teria reconhecido a movimentação bancária e justificado que eram recursos do ex-deputado destinados a saldar despesas familiares. Já Jenani, que é primo de Janene, afirmou que os valores - 300 vezes maior que seu patrimônio pessoal - foram repassados pelo ex-parlamentar para realização de investimentos em soja e milho. Jenani teria declarado desconhecer a origem do dinheiro.
Sem foro privilegiado após o fim do mandato - no dia primeiro de fevereiro - Janene atendeu a intimação da PF para prestar depoimento, mas, de acordo com Machado, teria alegado que já deu explicações sobre o caso no processo do mensalão, que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF). Este inquérito, já concluído, deu origem à ação judicial que tramita no STF contra Janene, o ex-ministro José Dirceu, o publicitário Marcos Valério, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e outros 36 réus.
Ao deixar a sede da PF, Janene negou as denúncias de lavagem de dinheiro e afirmou que os recursos encontrados nas contas de sua esposa foram declarados à Receita Federal. O ex-deputado, porém, se recusou a responder outras perguntas sobre o caso.
O delegado vai solicitar ao STF cópia das declarações do deputado. Segundo Machado, o próximo passo da investigação é esclarecer a origem de todos os recursos. ''Vamos partir para uma perícia contábil. O relatório da CPMI dos Correios indica que os recursos vieram do valerioduto, mas precisamos materializar isso.''
Os representantes da corretora Bônus-Banval deverão ser chamados a prestar esclarecimentos nas próximas semanas. A expectativa do delegado é concluir as investigações até o início do segundo semestre.


