Brasília - O processo de cassação do mandato do deputado José Janene (PP-PR) será colocado em votação no plenário da Câmara dos Deputados apenas após as eleições. Segundo o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), não há quórum qualificado para votar processo de perda de mandato antes das eleições.
''Não vou pôr processo de julgamento de perda de mandato com o quórum que nós temos tido neste período pré-eleitoral'', afirmou Aldo. O próximo esforço concentrado do Congresso será realizado nos dias 4, 5 e 6 de setembro. Para a cassação do mandato, são necessários votos de pelo menos 257 dos 513 deputados.
No esforço concentrado da Câmara Federal realizado no início de agosto, Janene perdeu o último recurso contra a cassação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Devido a impossibilidade de recorrer da decisão na Câmara, os advogados do deputado aguardam agora o resultado do recurso ajuizado no Supremo Tribunal Federal (STF), que alega que Janene teve o direito de defesa cerceado na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, que recomendou a cassação.
Janene é o último parlamentar acusado de envolvimento no chamado ''valerioduto'' a ser julgado. Ele é acusado de ter recebido mais de R$ 4,1 milhões de Marcos Valério Fernandes de Souza. Em sua defesa, Janene, ex-líder do PP na Câmara, argumenta que o PP recebeu R$ 700 mil do PT para pagar o advogado do ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC), cassado pela Justiça Eleitoral e depois preso pela Operação Sanguessuga, que apurou a venda superfaturada de ambulâncias com recurso do Orçamento.

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