Janene é enterrado em Londrina
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Janaina Garcia Reportagem Local 
O corpo do ex-deputado federal José Mohamed Janene, 55 anos, foi sepultado ontem de manhã no Cemitério Islâmico de Londrina. O enterro foi marcado pela comoção de familiares - a maioria, de cidades paranaenses e do interior de São Paulo - e a presença de diversos prefeitos e secretários de municípios da região de Londrina. Ele morreu na madrugada de segunda para terça depois de ficar 42 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo. Janene entrara no hospital no início de agosto para a troca de um cardiodesfibrilador, mas, desde então, sofreu duas paradas cardíacas que, no último final de semana, foram agravadas por um quadro de infecção bacteriana.
Com planos de tentar a volta à Câmara Federal, pela qual se aposentou por invalidez em 2006, após o escândalo do mensalão - no qual foi acusado de ser o operador de um esquema que teria envolvido outros 39 réus, o que o paranaense sempre negou -, Janene desistiu de sair novamente em campanha após a notícia de que teria de se submeter a um transplante de coração. Estava na fila de espera há três meses.
Prefeitos e vereadores da região destacaram o que chamaram de empenho do ex-deputado na obtenção de recursos. ''No nosso município, como político e como ser humano vai nos fazer muita falta, foi um grande amigo e grande pai'', exaltou o prefeito de Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho), José Salim Haggi Neto (PMDB).
O funeral foi preparado conforme o rito islâmico. Na mesquita Rei Faiçal, onde o ex-deputado foi velado, seu corpo passou pelo processo que os muçulmanos chamam de purificação, com a limpeza e a envoltura do morto em três tecidos brancos, virgens e sem costura, que compõem a mortalha. De lá, entoando orações em árabe, amigos e familiares acompanharam o caixão até o cemitério, onde o xeique Yamani Abdul Nur Muhammad leu as orações fúnebres e fez um sermão, com base no Islã. Depois do enterro, no qual a cabeça do sepultado fica direcionada à cidade sagrada de Meca (Arábia Saudita), o religioso conversou com a FOLHA e resumiu parte do que dissera no sermão - no qual, em mais de uma ocasião, ilustrou a mortalha branca como símbolo de que ''não levamos nada deste mundo. Eterna é a vida futura, então, cuidado com as tuas ações, adora a Deus e cuida dos teus semelhantes''.
''A confusão só se espalha no mundo quando a pessoa larga, se afasta de Deus. Existem três fatores: a família, os bens e as ações. Se o amor que se tem a quaisquer deles está acima do amor a Deus, temos aí um desequilíbrio'', disse. Já o xeique Omar Hayek, da Mesquita, completou: ''Familiares e riquezas são valores mundanos; é pelas ações que a pessoa será questionada, no julgamento. Mas é Deus quem julga e quem perdoa - aí não adianta rei, rai© nha, ministro ou advogado: quem protege a pessoa é a obra dela enquanto seguidora do Islamismo''.


