Janene é acusado de cobrar 'caixinha'
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quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O deputado federal José Janene, presidente do diretório estadual do PPB no Paraná, é acusado de receber durante dois anos uma caixinha de R$ 21 mil mensais do grupo Tâmara-Principal, de Maringá. O dinheiro serviria como pagamento de uma intermediação do deputado num contrato de segurança bancária. A informação consta de um depoimento de José Luiz Sander, sócio-proprietário do grupo, prestado no dia 8 de agosto ao Ministério Público e divulgado ontem pelo Movimento pela Moralização da Administração Pública de Londrina. No total, Janene teria recebido mais de R$ 500 mil.
O depoimento do empresário é uma da peças que compõem a medida cautelar proposta contra o deputado há uma semana. A ação também atinge a mulher de Janene, Stael Fernanda Rodrigues Lima, as filhas Danielle e Michelle, outros familiares e empresas. Os promotores disseram que há fortes indícios de que Janene teria se beneficiado com parte do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. O grupo Tâmara-Princiapal participou de licitações na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU).
José Luiz Sander declarou ao MP que Janene teria ajudado a intermediar, para a Principal, a cessão de serviços de segurança bancária. O mesmo serviço era feito por outra empresa do ramo, identificada como Alvorada. A Principal acabou fechando o contrato em julho de 97 e, três meses depois, o deputado teria começado a fazer pressão para que lhe fosse dada uma mensalidade. Janene, segundo o depoimento, chamava para si o mérito da cessão do serviço.
Sander contou aos promotores que no início resistiu à pressão mas, no final de 97, acabou cedendo Janene teria ameaçado gestionar a rescisão do contrato. Pelo acordo, o deputado receberia R$ 21 mil por mês sempre entre os dias 10 e 20. O valor era identificado na contabilidade da empresa como retirada de pró-labore ou de lucros pelos sócios.
A caixinha foi paga de dezembro de 97 a novembro de 99, segundo Sander. Ainda segundo o depoimento, a responsável pelo pagamento era Vânia Maria Jolo, gerente administrativo-financeiro do grupo. Vânia já tinha revelado o acordo ao MP, no dia 26 de julho. Segundo ela, os pagamentos eram feitos em dinheiro diretamente a Rosa Alice Valente, funcionária de Janene no escritório político dele, em Londrina. Rosa também seria mulher de Meheidin Hussein Jenani, primo do deputado.
Vânia acrescentou que, algumas vezes, depositou os R$ 21 mil nas contas bancárias de Stael Fernanda; de Antonio Alcântara Filho, sócio-proprietário da empresa Mercoluz (ligada ao deputado); e de Meheidin. Ela entregou ao MP cópias dos depósitos bancários. Muitas vezes a empresa não dispunha do recurso para pagamento nas datas acordadas e quando isso ocorria (eu) recebia ligações cobrando o repasse de dinheiro e algumas dessas ligações eram efetuadas pelo próprio José Janene, diz trecho do depoimento.


