Janene depõe e afirma que mensalão não existiu
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O ex-deputado federal José Janene (PP), prestou ontem em Londrina o 37º depoimento do processo do mensalão - que apura eventual pagamento de propina para parlamentares que apoiavam o governo federal no primeiro mandato do presidente Lula. O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, e tem 40 réus, entre eles os ex-ministros José Dirceu e Luis Gushiken, os ex-deputados federais do Paraná, José Janene e José Borba, além de outras autoridades de alto escalão e instituições bancárias.
Janene é acusado de ter distribuído para correligionários aproximadamente R$ 4,1 milhões, que teria recebido do publicitário mineiro Marcos Valério - apontado como o operador do mensalão. Os últimos três acusados que ainda não foram ouvidos prestarão depoimento no próximo dia 17, em São Paulo.
Por ordem do juiz da Vara Federal Criminal de Londrina, Fábio Nunes de Martino, as portas do fórum permaneceram fechadas para a imprensa enquanto o ex-deputado permaneceu no prédio. O depoimento de Janene foi acompanhado por advogados das partes e pelo procurador federal José Alfredo Silva - que representa Luis Fernando de Souza, procurador geral da República e autor da denúncia do mensalão.
Janene fez uma rápida declaração à imprensa ao deixar o fórum, alegando que respondeu a todas as perguntas de advogados, do juiz e do Ministério Público Federal, mas não respondeu aos questionamentos da imprensa. ''Fiz todos os esclarecimentos mostrando que não houve nenhuma ilicitude por parte do Partido Progressista e não deixei nenhuma pergunta sem resposta''. Questionado pela FOLHA se ficou marcado pela alcunha de mensaleiro, Janene disse - em tom hostil: ''Isso eu te respondo depois, pessoalmente''.
O advogado Marcelo Leonardo, defensor de Valério, disse que o depoimento de Janene confirma as declarações de outros acusados de que ''não houve mensalão no Congresso Nacional''. De acordo com Leonardo, as empresas do publicitário citadas na denúncia, SMP&B e DNA Propaganda, foram fechadas por falta de clientes e hoje ele sobrevive prestando ''consultoria empresarial'' em Belo Horizonte.
O advogado Luis Francisco Correia Barbosa, que representa o ex-deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jeferson, disse que a denúncia do MPF foi ''incompetente'' e previu a prescrição do processo. ''Eu acho que isso, no final, vai terminar naquele prato italiano bem difundido aqui no Brasil. Quer dizer, não vai dar em coisa nenhuma''.


