Brasília - O líder do PP na Câmara, José Janene (PP-PR), culpou ontem os petistas pelas dificuldades que os deputados de seu partido estão enfrentando. ''Quem nos colocou nessa situação difícil foi o PT e agora é o PT que terá de responder pela origem do dinheiro que nos foi repassado, e não nós'', protestou Janene, um dos quatro parlamentares do PP incluídos na lista dos cassáveis. ''Acreditamos neles. Nunca poderíamos imaginar que um dia colocariam o dinheiro do PT sob suspeita''.
Acusado de receber R$ 4,1 milhões do esquema do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, Janene admite repasses de apenas R$ 700 mil: ''O resto é folclore''. Além do líder, outros três deputados do PP terão de se defender agora no Conselho de Ética da Câmara: Pedro Corrêa (PE), Pedro Henry (MT) e Vadão Gomes (SP). ''Vamos à guerra com todos os seus horrores'', resumiu Janene.
O líder disse que fará sua defesa ''sem hipocrisia''. Fez questão de reafirmar os vários encontros que teve com o então ministro José Dirceu (PT-SP), com o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. ''Todo mundo sabe que eles eram os homens poderosos dessa República'', justificou.
''Eram eles que definiam as alianças nos Estados, que mandavam no governo e na partilha dos cargos federais'', completou Janene, lembrando que, por isso mesmo, os três personagens também eram frequentemente procurados por notáveis do Congresso, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e seu antecessor José Sarney (PMDB-AP).
Sua defesa ao Conselho seguirá a mesma linha da defesa escrita. ''Nada de estratégias mirabolantes'', afirmou. Segundo ele, as retiradas foram feitas pelo assessor de seu gabinete, João Cláudio Genu, a serviço da presidência do partido. ''O Genu estava lotado no meu gabinete porque eu também sou da direção do partido'', explicou Janene, ao lembrar que foi segundo tesoureiro e, agora, é o primeiro secretário do PP.
Os repasses do PT ao PP foram publicamente assumidos por Pedro Corrêa que teria autorizado Genu a fazer as retiradas para bancar despesas de 36 processos movidos contra o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC). Segundo Corrêa, tudo foi acertado em uma reunião da qual participaram o ex-líder do PP na Câmara Pedro Henry e o senador Sibá Machado (PT-AC), uma vez que foi o PT acreano que processara Ronivon. ''Eu, como segundo tesoureiro, fui apenas comunicado do acordo com o PT'', conta Janene.
Os pepistas defendem a tese de que não existe 'mensalão'. E mais: que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi cassado justamente por não ter conseguido comprovar a existência do 'mensalão' que denunciara. ''Também ficou claro que não tem recurso público nos repasses do PT e, se não é dinheiro público nem há 'mensalão', não houve quebra de decoro'', simplifica Janene.
Os quatro deputados do PP queixaram-se de cerceamento de defesa, mas preferiram não apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) como fizeram cinco petistas denunciados ao Conselho de Ética. ''O recurso era legal e até necessário, mas muito desgastante. Avaliamos que poderia soar mal e nos causar prejuízos no plenário, em vez de nos ajudar'', explicou.

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