Janene atribui denúncias de Alonso à perseguição
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domingo, 28 de agosto de 2005
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O deputado federal José Janene (PP) atribuiu ontem as denúncias de corrupção feitas pelo ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), o advogado Eduardo Alonso, à ''perseguição de pessoas não ligadas à política''. As denúncias foram veiculadas pela revista IstoÉ desta semana, em que Alonso expõe um suposto esquema montado na Câmara de Vereadores de Londrina por Janene, em 1997, que teria precedido o mensalão de Brasília.
''Logo que o Antônio Belinati assumiu a prefeitura em 1997, fez um acordo com os vereadores para ter o domínio da bancada. Ele teria um número 'x' de cargos para cada vereador'', diz trecho da entrevista. Segundo Alonso, 11 dos então 21 vereadores recebiam mensalmente R$ 5 mil, pagos em dinheiro e em envelopes da própria Câmara.
''Ele (Alonso) está manietado por pessoas que não são políticos e que me perseguem em Londrina'', justificou Janene sem declinar nomes.
Alonso é apresentado pela revista como ''ex-sócio de estreita confiança'', ''diretor da empresa de ônibus que o líder do PP possui em Ji-Paraná'' e ''coordenador das campanhas de Janene''. O deputado negou a ligação com o advogado. ''Ele nunca foi meu sócio, nunca participou de nenhuma campanha minha e eu nunca o indiquei para nenhum cargo.''
Nenhum dos sete vereadores ouvidos ontem pela Folha, disse ter conhecimento dos fatos narrados por Alonso. ''Nem na época do meu pai recebi mesada'', disse Antenor Ribeiro (eleito pelo PP e hoje no PMDB). ''Não vi e não participei de nada'', resumiu Osvaldo Bergamin Sobrinho (PMDB). Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), hoje exercendo o terceiro mandato, classificou as denúncias de Alonso, como ''conversa fiada''. ''Não tinha nada disso.''
Por outro lado, a hoje deputada estadual Elza Correia (PMDB) recordou denúncias de pagamento de propina feitas na época pelo então por Belinati. ''No desenrolar do processo AMA/Comurb, o próprio Belinati falou que tinha vereadores que buscavam dinheiro e até apresentou uma fita. Se isso acontecia na Câmara, a mim sequer foi mencionado alguma coisa sobre isso. As pessoas conhecem o meu comportamento e não ousariam fazer esse tipo de proposta'', disse.
Salvador Francisco também lembrou de importantes projetos aprovadas pela Câmara em 1997. ''Jamais participaria de uma situação como essa. Em 97 houveram votações importantes de projetos do Executivo e eu votei contra'', disse ele, citando como exemplo o projeto que permitiu ao Executivo negociar 45% das ações da Sercomtel. Roberto Kanashiro (PSDB), disse que nunca recebeu nenhuma proposta de troca de voto por dinheiro ou cargos. ''Acho que isso (denúncia) é uma coisa grave e ele tem que mencionar quem são (que recebiam a mesada), inclusive apresentar provas. Acusar por acusar é muito grave'', ponderou Carlos Kita.
Os demais vereadores da 12 Legislatura (1997/2000) Adalberto Pereira da Silva, Alvair Avelino de Souza, Antônio Negmar Ursi, Carlos Eduardo Santa Rosa, Célio Guergoletto, Flávio Anselmo Vedoato, Moysés Leônidas de Oliveira, Jorge Scaff, Orlando Bonilha, Renato Araújo, Roberto Scaff, Sidney de Souza, Tercílio Turini e Valdemir de Araújo Carneiro não foram localizados ontem.
O ex-prefeito Antonio Belinati (PP), não quis comentar as declarações de Alonso. ''Se alguém tiver que comentar é meu advogado'', resumiu. O advogado Antonio Carlos de Andrade Vianna, não retornou as ligações. O advogado de Alonso, Elias Mattar Assad, também não foi localizado.


