Janene acusa promotores de intimidação
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quinta-feira, 18 de maio de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
O deputado federal José Janene (PPB) fez ontem críticas pesadas aos membros do Ministério Público de Londrina, responsáveis por uma ação civil pública proposta na terça-feira, na qual o parlamentar aparece como um dos 13 réus. Ele foi denunciado por improbidade administrativa por ter sido beneficiado em sua campanha eleitoral com recursos desviados dos cofres públicos. Janene acusou os promotores de forjar documentos, coagir testemunhas para incriminá-lo e disse que pedirá providências ao Supremo Tribunal Federal. Ele prometeu processar os promotores por perdas e danos. O promotor Cláudio Esteves não quis polemizar e classificou as críticas como ataques despropositados.
Os promotores cometeram crime, intimidaram testemunhas, uma atitude canalha e cretina, forjando provas, esbravejou o deputado, durante uma conturbada entrevista coletiva na sala de reuniões da Câmara de Vereadores de Londrina. Ele se referia aos promotores responsáveis pelas investigações do caso AMA-Comurb, Solange Vicentin, Bruno Galatti, além de Cláudio Esteves.
Janene voltou a defender que as investigações contra ele são referentes a denúncias de crime eleitoral, cuja esfera competente para as averiguações seria o Supremo Tribunal Federal (STF). No mês passado, o parlamentar requereu habeas corpus para que o processo seja enviado ao Supremo. Ele alega ainda ter imunidade parlamentar. O processo está sendo analisado.
O deputado disse que tão logo o STF se manifeste sobre seu pedido, pretende apresentar uma fita de áudio e vídeo, na qual Cláudio Esteves aparece intimidando um depoente. Ele dizia para que a testemunha falasse o que ele (o promotor) queria ouvir, sob pena de prendê-lo, acusou. A suposta gravação, no entanto, só seria apresentada após a manifestação do STF.
Ainda de acordo com o deputado, os promotores estariam poupando o governador Jaime Lerner (PFL), em virtude da documentação ser fria e forjada. O deputado disse que preferiu apresentar as acusações contra os membros do MP na Câmara por ser o local adequado para as apurações sobre as denúncias de desvios de recursos públicos.
O deputado disse ainda que apóia as investigações dos promotores, mas afirmou que os trabalhos são parciais. Quem investiga não pode cometer crime, criticou, referindo-se às acusações de coação de testemunhas e o suposto uso de documentos falsos.
De acordo com a ação civil pública ingressada na Justiça no início da semana, licitações fraudulentas na Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e na Companhia de Urbanização (Comurb) serviram para desviar recursos que foram utilizados nas campanhas de Janene e do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), filho do prefeito Antonio Belinati (PFL). A ação pede ressarcimento do dano provocado ao patrimônio público. Segundo o MP, os três contratos analisados na ação que reúne 177 laudas e 2,3 mil documentos representam um prejuízo de R$ 212,47 mil.


