Jaime Lerner tenta garantir ministério
Arquivo FolhaPrestígioLerner: O importante não é o nome, mas a manutenção do ministérioDepois da rebelião dos senadores do PFL, que defendem a entrada de políticos nos Ministérios da Previdência Social e do Meio Ambiente, ontem foi a vez de o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), movimentar-se para tentar garantir espaço a um paranaense no primeiro escalão.
Lerner decidiu ir ontem pessoalmente ao Palácio do Planalto para tentar garantir que o Ministério da Previdência Social fique nas mãos de um paranaense - o titular é o paranaense Reinhold Stephanes (PFL), aliado político do governador. Lerner esteve ontem pela manhã com o presidente Fernando Henrique Cardoso e pediu que o Paraná continue no comando do ministério.
O que coloquei, rapidamente, foi a possibilidade de o Paraná pleitear a manutenção do Ministério da Previdência, afirmou o governador. Falei isso para que o presidente possa ponderar a respeito, disse Lerner, na saída do encontro.
A vaga de Stephanes, que irá deixar o cargo para se candidatar a deputado federal nas eleições de outubro, seria, a princípio, preenchida por um técnico, para cumprir um mandato transitório (até o fim deste ano), segundo o acordo feito entre os partidos da base aliada e Fernando Henrique. Com a indicação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério da Saúde, os senadores do PFL rebelaram-se e decidiram rever as indicações técnicas.
Lerner fez pressão junto às lideranças do PFL em Brasília, responsáveis pelas negociações da reforma ministerial, para que o Paraná continue comandando o ministério. Minha avaliação é a de que existe uma tendência boa para a indicação de outro paranaense, comentou. O Estado tem força e sempre tem tido presença no ministério, justificou.
Lerner apresentou ontem a Fernando Henrique os nomes dos dois paranaenses mais cotados para assumir a vaga de Stephanes : o ex-senador e presidente da Federação das Indústrias do Estado, José Carlos Gomes de Carvalho, mais conhecido como Carvalhinho, e o secretário especial do Fundo de Previdência do governo Lerner, Renato Folador. Mais importante que o nome é a manutenção do ministério com o Paraná, disse Lerner, sem querer confirmar uma possível preferência por Carvalhinho que, por ter estado no Senado, tem um perfil mais político que o assessor de Lerner. A idéia do governador, no entanto, esbarra na resistência dos senadores do PFL.
O governador admitiu que conversou com Fernando Henrique sobre a sucessão do governo do Estado, mas não quis revelar a posição do presidente. Em relação às composições para o governo do Estado, aguardem: tenho a visão de que comporemos uma ampla aliança, limitou-se a dizer.
No encontro com o presidente, Lerner mostrou como o Estado está contribuindo para a criação de empregos - principal obstáculo eleitoral para a reeleição de Fernando Henrique - com muitas obras públicas em andamento e parcerias com os municípios para o apoio a pequenas e médias empresas. O Paraná está dando uma resposta cabal ao problema do desemprego, afirmou. Ele citou ainda a inauguração da fábrica da Crysler, em 7 de julho desse ano, e o início da fabricação de carros pela Renault no Estado.





