Jaime Lerner se cala. Greca reflete
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaSilêncioJaime Lerner: sonho de candidatar-se à Presidência pode ser adiado
O governador Jaime Lerner mandou ontem um recado através de sua assessoria aos jornalistas que pretendiam ouvir dele uma avaliação sobre a aprovação da reeleição: não falaria sobre o assunto, apesar das insistências. A verdade é que os 336 votos dos deputados na direção da consolidação de mais quatro anos de poder para o presidente Fernando Henrique Cardoso matam - ou, pelo menos, adiam por quatro anos - o sonho do governador do Paraná de concorrer a presidente da República.
Apanhado em meio a uma entrevista sobre enchentes no Estado, na terça-feira, dia da votação da emenda pela Câmara dos Deputados, Lerner, pressionado pelos jornalista, não se desviou do tema reeleição, mas afirmou que não sabia dizer o que lhe aconteceria dentro de um ano e meio, tempo que ele considera muito longo para se definir politicamente.
Outro que se reservou para reflexão sobre o novo quadro foi o ex-prefeito de Curitiba e hoje secretário do Planejamento, Rafael Greca. Como Lerner, Greca é outro que vê na aprovação da emenda da reeleição o sonho político naufragar. No dia da votação da emenda, Greca chegou a dizer, em entrevista a uma emissora de rádio, que com reeleição aprovada passaria a pensar na viabilização de uma candidatura ao Senado, ao invés de disputar o governo estadual em 98. Ontem, o secretário não quis ratificar sua declaração.
Lerner considera
que é cedo para
falar sobre possível
candidatura
Único do PDT na bancada do Paraná em Brasília, o deputado Fernando Ribas Carli disse que em função do resultado de terça-feira, o Jaime é candidato à reeleição. O projeto presidencial, a meu ver, fica adiado, emendou. Integrante do grupo que se ausentou no plenário para tentar obstruir a votação, Carli ainda depositava ontem esperança num incidente de percurso nas próximas votações sobre a reeleição, lembrando que a decisão sobre as presidências da Câmara e do Senado ainda podem mudar a regra do jogo.
Carli lembra que há descontentamentos nas bancada do PMDB, o que pode refletir diretamente na candidatura de Michel Temer (PMDB) à presidência da Câmara e embolar a reeleição mais para a frente. No PFL também há indícios de que parte da bancada pode trair o acordo e não fechar com a candidatura Temer, o que pode tumultuar - e até comprometer - o processo da reeleição.


