Em um jogo combinado com o presidente em exercício do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), subiu à tribuna ontem, apenas dois minutos depois de ingressar no plenário, e fez sua defesa de improviso exatamente por 53 minutos. ''Meu desempenho foi excelente'', animou-se o próprio Jader. ''Foi um pronunciamento inteligente e ele respondeu bem às acusações'', resumiu o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mas o sucesso desta primeira aparição no Senado, desde a licença concedida no dia 20 de julho, ficou restrito à retórica.

O discurso que animou o PMDB de Jader não mudará o curso das investigações no Senado, nem as pressões para que ele renuncie à presidência do Congresso. ''Eu continuo defendendo a renúncia'', confirma Simon. A avaliação geral, no entanto, é a de que o presidente licenciado melhorou momentaneamente sua situação diante de aliados e adversários. Ninguém discorda de que ele surpreendeu o plenário com sua força verbal e contundência.

Trechos da fala de Jader foram cirurgicamente dirigidos ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga; ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro; ao Conselho de Ética que investiga o senador; aos senadores em geral, que também podem ser vítimas de uma campanha difamatória; aos dubles de senador e empresário e ao PMDB. ''Ele deu seu recado aos senadores, ao cobrar responsabilidade nas acusações, porque sabe que muitos aqui têm rabo de palha e podem ser o próximo'', avaliou o senador Jefferson Péres (PDT-AM), um dos relatores no Conselho.

Ao abordar a denúncia que seus pares consideram a mais difícil de ser respondida, usou de habilidade política. Para responder à acusação de que teria embolsado recursos desviados do Banpará, escudou-se no BC, citando relatórios produzidos pela instituição. E além de pôr o BC na berlinda, jogou-o contra o Ministério Público Federal. ''Quem vai ao Conselho sou eu e o Banco Central do Brasil'', sentenciou Jader, ao salientar que, se os senadores considerarem inconsistente o relatório do BC que o inocenta, poderão pleitear sua saída da Casa e a substituição do Banco Central pela 5 Câmara do MP.

Otimista, Jader anunciou que retorna ao Senado hoje, para reassumir sua cadeira. ''Não há razão para renunciar à presidência nem ao mandato'', reafirmou. A seu ver, as ''pessoas de bom senso'' vão verificar que não há consistência nas denúncias e que ele está à disposição da comissão de inquérito para depor. ''Não só eu, mas todos acharam o discurso de Jader muito convincente'', elogiou o senador João Alberto (PMDB-MA).

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