Depois de exatos 315 dias de ataques públicos e denúncias mútuas de corrupção, que marcaram a disputa mais acirrada da história das sucessões do Congresso, o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), 55 anos, foi eleito ontem sucessor do presidente Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). A parceria bem-sucedida entre o PSDB e o PMDB deu a Jader 41 votos e aos deputados tucanos e peemedebistas a certeza de que a aliança também seria vitoriosa na Câmara, com a escolha do candidato Aécio Neves (PSDB-MG) para presidente da Casa.
A cúpula do PFL demonstrava a frustração com a derrota da terceira via, lançada à última hora no Senado contra Jader. O senador Arlindo Porto (PTB-MG) reuniu apenas 28 votos, num plenário completo com a presença dos 81 senadores. Jefferson Peres (PDT), candidato da oposição, somou 12 votos. ‘‘O Brasil e o Senado não merecem trilhar caminhos de penumbra, conduzidos por mãos de homens desacreditados’’, provocou ACM, no último discurso sentado à cadeira de presidente da Casa. Mas, eleito, Jader adotou o tom ameno que o Palácio do Planalto lhe pedira para pôr fim à briga. ‘‘O parlamento é o lugar do diálogo permanente, em clima de respeito e cordialidade’’, destacou, no discurso de posse.
Jader reconheceu que esta eleição ‘‘teve clima atípico, que abalou a imagem da Casa’’. Por isso, pregou o reestabelecimento da cordialidade. ‘‘As divergências têm de ficar para trás’’, insistiu. A fala do novo presidente agradou à oposição, preocupada com a hipótese de os dois maiores líderes da base aliada seguirem combatendo e pondo abaixo a imagem do Congresso. ‘‘Temos de paralisar o processo de agressões e de disputas de dossiês, sem que isto signifique engavetar os processos em curso’’, propôs o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE).
Como o comando do PFL não esconde a mágoa e se revela convencido de que foi abandonado pelo Planalto nesta eleição, os líderes do governo no Congresso começaram a articular a pacificação da base aliada antes mesmo da apuração dos votos na Câmara e Senado. ‘‘Este é um episódio eleitoral que não marca o fim dos tempos até porque o PSDB também é um partido importante no Senado e nunca presidiu a Casa’’, consolava o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), que começou a acertar ontem a agenda da conciliação, com os líderes governistas na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). ‘‘Queremos aglutinar os partidos em torno do governo, e não concentrar todo o peso em um ou dois partidos da base’’, completou.
O novo presidente do Senado teve seu primeiro mandato em 1967, como vereador de Belém pelo antigo MDB. Foi deputado estadual e federal, até ser eleito governador do Pará, em 1982, cargo que voltou a ocupar em 1991. Durante o governo Sarney, Jader comandou os Ministérios da Reforma e Desenvolvimento Agrário e da Previdência e Assistência Social. Desde 1995 é senador pelo Pará. Em 1998, Jader disputou o governo estadual, mas foi derrotado pelo tucano Almir Gabriel.

mockup