O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), foi escolhido ontem candidato oficial da legenda a presidente da Casa, com um placar que impõe uma derrota ao principal adversário dele: o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Barbalho obteve 23 dos 26 votos dos senadores peemedebistas, que se reuniram para tratar da sucessão. Apenas o senador Roberto Requião (PMDB-PR) votou contra; o senador José Fogaça (PMDB-RS) absteve-se. O ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), cuja candidatura avulsa no plenário ainda é a última esperança de ACM, não compareceu à reunião.
Apontado como o voto certo de Sarney, o senador Gilvan Borges (PMDB-AP) afirmou que telefonara na véspera para o ex-presidente, perguntando se ele era candidato. ‘‘Fiz isto porque tenho um chefe político, mas ele me liberou e eu dou meu voto a Jader’’, disse Borges, segundo os companheiros.
A exceção ficou mesmo por conta de Requião. O senador paranaense criticou a concentração de poder nas mãos de Barbalho, que acumula a presidência do partido com a liderança. Comparou-o com o ex-deputado Ulysses Guimarães, que foi tri-presidente (do PMDB, da Câmara e da Assembléia Nacional Constituinte), mas perdeu feio as eleições presidenciais. ‘‘Quero ser presidente da instituição, e não um peemedebista na presidência do Senado’’, respondeu Jader.
ACM apostava todas as fichas num placar desconfortável a Barbalho, em que os dissidentes somariam seis a oito votos. Depois de distribuir a todos os senadores o livro ‘‘Jader, o Brasil não merece’’, com uma coletânea das denúncias de corrupção, ACM acreditava que o desafeto teria, no mínimo, problema de quórum na reunião da bancada. Não foi o que ocorreu. (Colaboraram Gilse Guedes e Rosa Costa)

mockup