Jader renuncia dizendo que é vítima
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terça-feira, 18 de setembro de 2001
Andréa Michael e Raquel Ulhôa <br> Agência Folha <br> De Brasília 
O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou ontem à presidência do Senado e transformou seu discurso em uma peça de defesa na batalha política que enfrenta para manter seu mandato. Ao contrário do esperado, Jader não atacou parte da aliança governista, especialmente o PFL. No discurso de 35 minutos, Jader caracterizou sua renúncia como um ato para preservar a instituição, atribuiu a saída a perseguições políticas que também atingiriam ao PMDB e pontuou o início de tudo: um momento de ''desinteligência política'' que o levou a enfrentar o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). É a primeira vez na história que um presidente do Senado renuncia.
Do enfrentamento entre ''o caboclo paraense que ousou chegar ao cargo mais alto do Legislativo'' definição de Jader sobre si mesmo e o ''político mais influente da República'' ACM teria resultado uma ''guerra suja'', com uma enxurrada de denúncias que levaram ao desgaste da instituição e, consequentemente, à sua renúncia. ''E é em respeito à instituição que presido por livre escolha dos meus companheiros senadores, que em mim reconheceram qualidades para o cargo, tanto que me honro de estar exercendo, e em retribuição à confiança que em mim depositaram que me afasto, hoje (ontem), da presidência do Senado Federal. A esta renuncio para preservá-lo e servi-lo'', disse Jader no discurso.
Jader assumiu a presidência no dia 14 de fevereiro deste ano. Ele chegou a pedir uma licença de 60 dias. Reassumiu na última quinta-feira, anunciando que iria deixar o posto nesta semana. Num recado claro ao Conselho de Ética, que amanhã deverá aprovar a abertura de processo por quebra de decoro contra Jader, o senador falou várias vezes na importância de zelar pelo princípio constitucional do amplo direito de defesa.
Foi então que mencionou um telefonema seu a ACM, durante o processo que levou à renúncia do ex-senador baiano, envolvido no episódio da violação do painel eletrônico do Senado. ''(...) Malgrado os agravos que ele me havia imposto, (telefonei) para assegurar-lhe minha imparcialidade na condução do assunto'', disse.
Jader reafirmou que não há provas para acusá-lo por quebra de decoro devido a seu suposto envolvimento no caso Banpará. E insistiu: ''Não usei nenhum recurso do Banpará em minha movimentação financeira''. Mais adiante, questionou: ''Acusar-me de mentir por negar a acusação?''. Por fim, resumiu, transformando a renúncia em perseguição política: ''Era necessário destruir-me e atingir o PMDB. Esse foi o meu crime''.


