Rosa Costa Agência Estado
O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), entregou à CPI do Judiciário um requerimento pelo qual tenta estender as investigações aos 61 parlamentares, membros da Comissão Mista de Orçamento, que apresentaram emendas para favorecer as obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. Barbalho alegou que, dessa forma, espera obrigar a CPI a investigar igualmente deputados e senadores que se interessaram pela obra ‘‘e não apenas a Luiz Estevão (senador pelo PMDB do Distrito Federal)’’.
‘‘Não deve haver esse privilégio de só ele ser investigado’’, alegou. ‘‘O juiz Nicolau (Nicolau dos Santos Neto ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo) tinha um prestígio aqui dentro que ia de A até Z, da direita até a extrema esquerda.’’ Para Barbalho, a CPI deve quebrar o sigilo de todos os parlamentares que emendaram o Orçamento em favor das obras do Fórum, até mesmo de Estevão. Mas Estevão anunciou que só permitiria a quebra do sigilo pessoal e não o das empresas dele que fizeram negócios com a Incal e Ikal. Essas empresas, dos empreiteiros amigos Fábio Monteiro de Barros e Eduardo Ferraz, são as principais envolvidas no escândalo do superfaturamento dessa obra. Foram desviados R$ 162,28 milhões dos R$ 222,62 liberados para a obra.
O requerimento de Barbalho deve ser rejeitado, até porque parte do princípio de que Estevão está sendo investigado. O nome de Estevão só passou a ser citado quando a quebra do sigilo bancário e telefônico dos principais envolvidos na denúncia mostrou que eles e o senador possuem muito mais do que uma fraterna amizade. A prova é que as empresas dele - conforme mostra o rastreamento feito pela CPI das contas bancárias dos empreiteiros - receberam 12 cheques da Incal no valor de R$ 2,28 milhões.
Há ainda os telefonemas de Santos Neto e Monteiro para Estevão. O senador também ligou para eles, conforme consta nas contas telefônicas de sua casa, que foram incluídas entre as despesas da campanha eleitoral entregue ao TRE. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e vários outros parlamentares sugeriram que Estevão se ofereça para depor e, se for o caso, esclareça a participação nos negócios com a Incal e Ikal, mas ele ignorou a sugestão. A negativa reforçou a suspeita de acordo com a qual ele seria sócio das empresas que superfaturaram as obras do Fórum trabalhista e não apenas o dono da empresa que concorreu à licitação, mas perdeu por apenas três pontos.

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