Belém - O ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) admitiu ontem, em seu primeiro depoimento à Justiça Federal no caso da extinta Sudam, que visitou dois projetos do empresário José Osmar Borges, acusado de ser um dos maiores fraudadores do órgão. A relação de Jader com o empresário, dono do projeto Usimar, que tomou R$ 44 milhões da Sudam, foi explicada pelo ex-senador: ‘‘Fui apresentado a ele pelo ex-superintendente da Sudam, Frederico Andrade, e depois visitei dois projetos dele, às margens do Rio Cuiabá ’’.
Jader também disse ter pego com o seu primo, deputado federal José Priante (PMDB), ‘‘uma carona’’, em 2000, com o empresário Danny Gutzeit, acusado de fraudar 80% dos cerca de R$ 12 milhões que recebeu da Sudam para executar projetos, em Altamira, reduto eleitoral de Jader.
Jader é acusado pelo Ministério Público Federal de comandar uma organização criminosa, composta por 58 pessoas, que fraudou R$ 132 milhões a Sudam.
‘‘Ele comandava a instituição, indicava as pessoas e teria influenciado diretamente em alguns projetos para liberação de verbas’’, disse o promotor Ubiratan Cazzeta.
Esta é a primeira vez que Jader é ouvido pela Justiça Federal no processo que o levou a prisão em 16 de fevereiro passado. Na ocasião, ele foi liberado no mesmo dia por meio de um habeas corpus. Ontem Jader negou uma a uma as acusações diante do juiz Herculano Martins Nacif, em 13 páginas de questionamentos. Durante seu depoimento, o ex-senador criticou a conduta do delegado da Polícia Federal, Élbio Dias Leite, a quem definiu como ‘‘imbecil’’.
A Promotoria pretende apresentar à Justiça Federal o depoimento de 20 testemunhas de acusação, além de escutas telefônicas e provas documentais.
Em depoimento que durou cerca de cinco horas, Jader apresentou à Justiça uma perícia feita a pedido dele como prova de sua inocência da acusação de ter desviado R$ 9 milhões da Sudam para o ranário de sua mulher Márcia Centeno.
De acordo com o laudo realizado por peritos da Justiça Federal, o ranário recebeu R$ 786 mil e não R$ 9 milhões, como afirmou o interventor da Sudam, José Diogo Cirilo, no ano passado. O promotor Ubiratan Cazzeta considerou o laudo um ‘‘documento unilateral’’.

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