Depois de renunciar à presidência do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) sofreu ontem uma derrota que o deixou a um passo de outra renúncia e o que está em jogo agora é o próprio mandato de senador. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidiu que Jader não tem direito a ''ampla defesa'' antes da votação, pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, do parecer que pede a abertura de processo de cassação contra ele. Houve 18 votos contra Jader e 1 abstenção. Ninguém votou a favor do senador. ''Estou meditando sobre tudo o que está ocorrendo'', disse Jader, sobre a eventual renúncia.
Jader recorreu a sua comparação preferida para falar da possibilidade de ter quebrado o decoro parlamentar ao negar que tenha se beneficiado de recursos do Banpará: ''É uma palhaçada muito grande''. Quando lhe perguntaram se mantém a disposição de enfrentar o processo até o fim, Jader respondeu: ''Vai depender do depoimento que farei. Espero ser ouvido pela sociedade, para demonstrar que tudo o que está acontecendo é uma palhaçada''.
É a segunda vez que Jader admite a hipótese de renúncia, gesto que evitaria a abertura de processo por quebra de decoro. Se o processo for aberto e o senador for cassado, perderá os direitos políticos por oito anos a partir de 2003, ficando impedido de disputar eleições. Se renunciar agora, Jader estará pronto para concorrer, no ano que vem, ao governo do Pará ou até mesmo ao Senado. Depois de iniciado o processo, ele não poderá renunciar.
Prevista para hoje, a votação, no Conselho de Ética, do parecer que pede a abertura de processo só dependia do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgaria na noite de ontem um pedido de Jader para suspender os trabalhos. A tendência do Conselho é pela aprovação, por ampla maioria, do relatório assinado pelos senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Jefferson Péres (PDT-AM). Se for mesmo aprovado, o parecer será enviado à Mesa Diretora do Senado, à qual cabe determinar a abertura de processo.
Jader contará, então, com 15 dias para preparar sua defesa. Mas, se quiser renunciar, precisará fazê-lo nesse período, ao longo do qual o processo não é considerado tecnicamente iniciado.
O objetivo de Jader, ao recorrer à Comissão de Constituição e Justiça para garantir ''ampla defesa'', era protelar a votação do Conselho de Ética, ganhando o direito de pedir novas perícias, convocação de testemunhas e busca de novas provas documentais. Logo que o senador Osmar Dias (PDT-PR) terminou a leitura de seu parecer - no qual rejeitava a manobra de Jader - o ex-presidente do Senado pediu a palavra para dizer que estava sendo ''cerceado em seu direito de defesa''.
O presidente do Conselho de Ética, Juvêncio da Fonseca (PMDB-MS), garantiu ontem que colocará o relatório em votação com ou sem o pronunciamento de Jader. ''O relatório será votado amanhã (hoje) impreterivelmente. Não haverá mais adiamento'', disse Fonseca.

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